Ask @AstroUFABC:

Há, de fato, um buraco negro supermassivo no centro de nossa galáxia? Então, é como se toda a galáxia orbitasse esse buraco negro?

Olá!
Sim, pelo que tudo indica há um Buraco Negro Supermaciço no centro da nossa Galáxia, a Via Láctea, e a Galáxia está girando em torno destre Buraco Negro.
Porém, a formulação "a Galáxia está orbitando esse Buraco Negro" é um pouco equivocada. Ela sugere que é a massa do Buraco Negro que mantém as estrelas e o gás etc. na órbita. Na verdade, é a massa de toda a Via Láctea que mantém tudo em órbita. Enquanto o Buraco Negro no centro tem uma massa de 3,7 massas solares, a Galáxia inteira tem uns 2 trilhões (2x10^12) massas solares, uns 500'000 vezes a massa do Buraco Negro central.
Apenas no caso das estrelas mais próximas ao centro pode-se dizer que é realmente o Buraco Negro que as mantém nas suas órbitas, e elas levam poucos anos para orbitar o Buraco Negro. Isto foi observado. Compilaram filminhos legais mostrando o movimento destas estrelas, por exemplo http://www.youtube.com/watch?v=opUkRkexw10 .
Espero ter ajudado. Fique à vontade para fazer mais perguntas.
Abraço

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Sei que os planetas estão submetidos à inércia e à gravidade do Sol, daí as suas órbitas. Mas, por que eles nunca desaceleram e são atraídos apenas para o Sol? E, afinal de contas, o que gerou, em primeiro lugar, esse movimento de escape que se equilibra com a atração do Sol?

Boa tarde,
boas perguntas! Realmente, o fato que este movimento não é freiado vai contra a nossa experiência diária. O motivo é que, ao contrário dos objetos no nosso dia a dia, estes planetas se deslocam praticamente no vácuo, e não sofrem fricção. Sem fricção, eles permanecem "por sempre" nas suas órbitas elípticas. Dá para calcular isto usando as leis da gravidade e da mecânica clássica (de Newton).
Quanto à segunda pergunta: O movimento angular em relação ao Sol dos planetas vem da época da formação do Sistema Solar. O sistema se formou a partir de uma grande nuvem de gás, a Nebulosa (pre-)Solar, que tinha um pouco de movimento rotacional e se contraiu. Na contração a maior parte da matéria foi parar no centro, formando o Sol, mas uma pequena parte não conseguiu cair pro centro por causa do movimento rotacional em torno deste centro (ou seja, do Sol). Esta pequena parte formou primeiro um disco, chamado disco de acreção. Em seguida, o material dentro deste disco se acumulou formando pequenos corpos, que se tornaram os planetas e corpos menores (asteróides, cometas, objetos trans-netunianos). Estes corpos mantinham o movimento em torno do Sol, e estão orbitando a nossa estrela central até hoje.
Você acha uma boa ilustração deste processo na figura 5 de http://www.ccvalg.pt/astronomia/sistema_solar/introducao.htm
Mais detalhes sobre a formação do Sistema Solar tem em vários sites, por exemplo o da Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Forma%C3%A7%C3%A3o_e_evolu%C3%A7%C3%A3o_do_Sistema_Solar
Espero ter ajudado. Senão, ou se você tiver outras dúvidas, sinta-se à vontade para fazer mais perguntas.
Abraço,
Pieter

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Não seríamos então apenas seres vivendo em uma espécie de "átomo" num cosmos muito maior? Até onde sabemos poderíamos ser seres microscópicos vivendo dentro de algo: existe um universo de bactérias vivendo dentro de nós. Somos o Cosmos desses seres unicelulares.

Começarei respondendo a segunda parte da sua pergunta:
- Por que luas orbitam planetas, que orbitam estrelas, que orbitam o centro da galáxia, etc.
É uma consequência da força atrativa entre estes corpos celestes, no caso, a gravidade. O balanço entre esta força (tendendo a puxar um corpo na direção do outro) e a inércia dos corpos (tendendo a fazê-los quererem se movimentar em linha reta) causa o caminho curvo destes corpos. Seguindo estas curvas por mais tempo, elas se tornam órbitas circulares ou elípticas.
Na verdade, os dois corpos de um sistema (por exemplo Sol e Terra) orbitam em torno do centro de massa do sistema, mas muitas vezes um dos dois corpos tem uma massa muito maior (no caso, o Sol) que o outro, tal que o Centro de Massa fica muito mais perto deste corpo, o que faz que este corpo de maior massa (o Sol) está praticamente parado e o outro (a Terra) orbitando em terno do primeiro.
- Há galáxias que não orbitam nada?
Há galáxias chamadas "galáxias de campo", isto é, muito distantes de outras galáxias. Estes podem ser considerados galáxias "livres", que não orbitam em torno de outras galáxias.
O núcleo de um átomo e os seus elétrons também representam um sistema, naquele um corpo de massa muito maior (o núcleo) atrai os outros (os elétrons), pelo força elétro-stática. Por isto, o átomo realmente é frequentemente representado como um núcleo com os elétrons orbitando em torno, similar ao nosso Sistema Solar. Isto é o modelo atômico de Rutherford, que descreve o átomo usando física clássica.
Porém, átomos são objetos microscópicos, e o mundo microscópico não é bem descrito pela física clássica. Em dimensões de átomos, temos que usar a física quântica para descrever a natureza. Na física quântica, a descrição de órbitas bem-definidas, circulares ou elípticas, não é adequada e o modelo de Rutherford hoje é considerado incorreto (simples demais).
No modelo quântico, há em torno do núcleo uma região chamada eletrosfera, ou nuvem de elétrons, dentro daquela os elétrons se encontram em posições indeterminadas. Seria difícil explicar todo o modelo quântico neste e-mail, talvez a descrição de wikipedia ajuda: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81tomo
De qualquer maneira, a analogia entre átomos e sistemas planetares não funciona da maneira que o modelo de Rutherford sugere.
Em princípio, isto não impede a possibilidade, de que as galáxias sejam partes de um ser vivo gigantesco. Porém, nunca se observou algum comportamento das galáxias que apoiasse esta hipótese. As galáxias parecem se comportar como matéria sem vontade própria, simplesmente seguindo as leis da física.
Espero que consegui responder as suas perguntas. Senão, ou se tiver outras perguntas, não hesite em fazer outra pergunta.
Abraço

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Professor, poderia explicar por gentileza, qual a importância da detecção das ondas gravitacionais?

Boa tarde,
se a detecção se confirmar (é sempre bom esperar um pouco para ver, se a notícia se confirma), ela confirma mais um aspecto da teoria da Relatividade Geral do Albert Einstein (1915).
Até agora, já foram confirmadas várias previsões desta teoria:
- a maneira como ela descreve a atração gravitacional entre massas (especialamente, quando esta desvia da teoria do Newton i.e. no avanço do periélio de Mercúrio),
- a deflexão da luz (e outra radiação) por massas altas e concentradas
- fenômenos como a dilatação gravitacional do tempo e o "redshift" (deslocamento para o vermelho) respectivamente "blueshift" gravitacional da luz perto de massas altas e densas.
- a influência de massas altas e concentradas sobre o Espaço-Tempo em torno delas, chamada "frame-dragging" (não achei o nome em português).
Ondas gravitacionais são mais uma previsão da Relatividade Geral, deformações do Espaço-Tempo emitidas por massas altas que se propagam à velocidade da luz, que ainda não foram detectadas diretamente (pelo menos, até hoje). Já houve indicações indiretas, em sistemas binários de objetos compactos (estrelas de nêutrons ou até buracos negros), que giram rápidamente em torno dos seus centros de massa. Observa-se que estes sistemas perdem energia rotacional, exatamente à taxa predita para a perda de energia por Ondas Gravitacionais.
Em resumo: A detecção de ondas gravitacionais corroborariam ainda melhor a teoria da Relatividade Geral.
Além disso, futuros detectores de Ondas Gravitacionais, mais sensíveis que o LIGO, poderiam abrir um novo ramo da astronomia e detectar coisas que são indetectáveis por outros tipos de radiação, fenômenos ligados a Buracos Negros, talvez Matéria e Energia Escuras e uma época cosmológica hipotética chamada Inflação que deve ter ocorrido logo após o Big Bang.
Desculpe a resposta um pouco superficial. Dá para escrever muito mais, mas eu tentei dar uma resposta não demasiadamente comprida.
Se você quer saber mais sobre um dos assuntos tocados nesta resposta, fique à vontade para fazer mais perguntas.
Abraço,
Pieter

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Professor, você indica algum site (pode ser em inglês também) para se manter atualizado sobre astronomia? As recentes notícias divulgadas pela grande mídia (9º planeta, maior sistema estelar encontrado) sempre me deixam receoso com sensacionalismo.

Olá,
pode ser no Facebook?
Posso recomendar o site do nosso projeto:
https://www.facebook.com/pages/Ensino-de-Astronomia-na-UFABC/387315644700222
O participante do projeto Emerson Penedo faz um ótimo trabalho juntando as notícias atuais sobre astronomia de outros sites.
Entre outros, ele pega muitas notícias dos sites
AstroPT: https://www.facebook.com/astropt/
e da NASA: https://www.facebook.com/NASA/
e de alguns sites sobre ciência em geral:
Universo Racionalista: https://www.facebook.com/UniversoRacionalista/
Fronteiras da Ciência: https://www.facebook.com/frontdaciencia/
Physics Today: https://www.facebook.com/PhysicsToday/
Revista Science: https://www.facebook.com/ScienceMagazine/
Ano Internacional da Luz - 2015: https://www.facebook.com/2015luz/
Núcleo de Pesquisa de Ciências: https://www.facebook.com/nupesc/
Em vários destes sites tem esclarecimentos sobre a alegada descoberta do nono planeta, então acho que não são sencionalistas.
Espero que você goste de um ou mais destes sites.
Abraço,
Pieter

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Uma coisa que não entendo sobre os planetas gasosos: eles tem chão? O que quero dizer é: o que aconteceria se eu pousasse com uma nave em um planeta gasoso?

Bom dia,
olhando para imagens dos planetas gasosos, por exemplo aqueles do telescópio espacial Hubble, dá a impressão que estes planetas têm uma superfície nítida. Porém, olhando de mais perto vemos que a superfície não é tão nítida assim, é uma transição de alguns centenas de km do vácuo para a parte intransparente do planeta. O que tem a baixo desta superfície não é chão sólido mas gás denso. Tão denso que acaba sendo intransparente, o que dá a ilusão de uma superfície sólida.
Muito mais para dentro, no núcleo do planeta existe material sólido, sim: gelo, rocha, ferro e outros materiais pesados. Mas este núcleo não é uma bola sólida, é material líquido (hidrogênio e elementos pesados) com partes sólidos dentro.
O que acontece se você pousasse em um planeta gasoso?
Você cairia para dentro e atravessaria a parte gasosa, que é a maior parte do planeta, e no final talvez pousaria no núcleo líquido-com-sólido. Durante esta queda você seria comprimida pela pressão enorme. Na caso de Júpiter a pressão chegando no núcleo é de uns 40'000 vezes a pressão do ar na superfície da Terra, e a temperatura é de 35'000 graus Celsius. Não é uma viagem muito recomendável!
Se você sabe ler inglês, tem uma boa descrição aqui:
http://www.geek.com/news/what-would-it-be-like-to-stand-on-jupiter-1599006/
Espero ter ajudado. Fique á vontade para fazer mais perguntas.
Abraço,
Pieter

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olá professor, simplesmente não consigo entender a noção de gravidade como deformação no espaço tempo, como exemplificado com o pano deformado. como pode ser exemplificado como plano...o universo não é 3d + tempo? me explique melhor, por favor... obrigado

Olá,
Sim, o Universo tem três dimensoes espaciais, uma temporal e talvez outras dimensões que não conseguimos accessar ou visualizar com os nossos sentidos.
A imagem do pano é só uma analogia pra ilustração, naquela uma das dimensões espaciais não é mostrada.
A imagem quer ilustrar, que os caminhos curvos da matéria sob a influência do grandes massas (por exemplo a órbita da Terra sob a influência do Sol) não são devidos a uma força, mas à curvatura do espaço.
Segundo a Teoria da Relatividade Geral, grandes massas como o Sol curvam o espaço em torno delas, de maneira similar à bolinha maior que curva o pano na ilustração que você mencionou, mas com um dimensão espacial a mais. Infelizmente, o espaço tri-dimensional curvo é difícil de se imaginar ou visualizar. Por isto usam a imagem do pano com uma dimensão a menos.
Neste espaço curvo, outras massas como a Terra (a bolinha pequena) andam em caminhos os mais retos possíveis, chamados geodésicas. A curvatura destes caminhos é, então, devido à curvatura do espaço, e não a uma força.
Um forte argumento a favor da Relatividade Geral é, que um espaço curvo deveria curvar os caminhos não só de massas, mas de TUDO, incl. da luz. Isto foi realmente observado, pela primeira vez em 1919 em Sobral no Ceará e desde então muitas vezes: Grandes massas como o Sol (ou galáxias ou aglomerados de galáxias) curvam os raios da luz.
Espero ter ajudado um pouco. É difícil visualizar o espaço tri-dimensional curvo. Fique à vontade para fazer mais peruntas.
Abraço,
Pieter

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Além de estrela, o sol também pode ser dado como planeta ?

Boa tarde,
não, o Sol não é um planeta segundo a definição usada na astronomia.
Para ser chamado planeta, não pode ocorrer fusão nuclear no seu interior. Para isto, ela teria que ter uma massa a baixa de 0,013 a massa do Sol, ou 13 vezes a massa de Júpiter*.
A partir desta massa, ocorre fusão nuclear esporádica e irregular no interior. Objetos destes se chamam Anãs Marrons.
A partir de 0,072 vezes a massa do Sol, ocorre fusão nuclear estável, e o astro se chama estrela.
Alguns cientistas ainda exigem que, para um corpo celeste ser um planeta, ele teria que girar em torno de um objeto maior, uma estrela ou uma Anã Marrom.
Em resumo: O Sol é grande e pesado demais para ser um planeta, e não gira em torno de uma (outra) estrela.
*Quanto maior é a massa, tanto mais altas são densidade e temperatura no seu interior, uma necessidade para ocorrer fusão nuclear.
Adição (21/04/2015): Historicamente, o Sol era considerado um planeta, sim. Antes de se estabelecer o Heliocentrismo, se acreditava no Geocentrismo, uma teoria, segundo aquela a Terra fica parada no centro do Universo, e em torno da Terra giram esferas que carregam os atros. E esfera exterior carrega as estrelas (hoje: as estrelas fixas), e as outras 7 esferas carregam os planetas (astros que se movimentam em relação às estrelas fixas). Na época, os 7 planetas eram Lua, Sol, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpíter e Saturno. Urano, Netuno e Plutão não tinham sido descobertos ainda.
Espero que consegui ajudar. Senão fique à vontade para fazer mais perguntas.
Abraço,
Pieter

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Outro dia desses, li um texto do físico Marcelo Gleiser no qual se afirma que o universo é um corpo negro. Acho problemática essa afirmação. O que você acha?

Boa terde!
Não li o texto do Marcelo Gleiser. Por isto não sei exatamente, o que ele quis dizer, mas a pergunta é interessante.
Pela definição, um corpo negro é um corpo que absorve toda a radiação que incide nele. Um corpo negro ideal reemite esta luz na forma de radiação térmica com um espectro característico que depende da temperatura do corpo.
No caso do Universo, não há luz que incide nele "de fora", e ele não irradia "para fora", já que "fora do Universo" não existe. Você está certo que a afirmação é, pelo menos, problemática.
Mas podemos dar uma olhada na radiação, que o Universo emite "para dentro", quer dizer a radiação emitida pela matéria contida no Universo para o Espaço entre esta matéria (que também faz parte do Universo).
Atualmente a matéria no Universo consiste de estrelas, corpos menores (Anãs Brancas, Estrelas de Nêutrons, Anãs Marrons, planetas, luas, asteróides, etc.), matéria interestelar e um monte de matéria que não irradia (Matéria Escura, Buracos Negros, ...). O espectro da radiação emitida por esta matéria é longe de ser um espectro de corpo negro. Primeiro, por que o Universo atual não tem uma temperatura uniforme: existem lugares muito frios e lugares muito quentes nele; e segundo, por que os constituentes não se comportam como corpos negros.
Mas houve uma época, até uns 380'000 anos depois do Big Bang, naquela o Universo era muito mais homogêneo. Ele consistia de um plasma de núcleos atômicos e elétrons (mais Matéria Escura) e este plasma irradiava praticamente como um corpo negro ideal. A radiação que chega em nós daquela época, chamada Radiação Cósmica de Fundo, realmente tem um espectro de corpo negro ideal. Então, se queremos ser muito generosos podemos dizer que a afirmação do Marcelo Gleiser já teve uma justificativa.
Espero ter ajudado. Senão, fique à vontade para fazer mais perguntas.
Abraço,
Pieter

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Tudo bem professor? Eu fui olhar o planejamento da Física para 2015 que o professor Luciano Cruz postou no grupo da UFABC no Facebook e vi que Noções de Astronomia e Cosmologia só terá uma turma a noite ano que vem. É isso mesmo? Obrigado pela atenção!

Tudo bem, e você?
Obrigado por avisar!
Falei com o Luciano hoje, e ele falou que este planejamento ainda não está escrito em pedra, e que é possível abrir uma segunda turma (diurna).
Pareceu inclusive que ele estava interessado em fazer isto, então as chances são boas de que terá duas turmas de Noções em 2015-2, uma diurna e uma noturna. Torcemos por isto!
Abraço

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Muito interessante esta página! Obrigado Pieter por responder e compartilhar seus conhecimentos com todos. Minha pergunta é: O Universo é infinito ?

De nada. é um desafio prazeroso tentar responder a estas perguntas. Infelizmente, meus conhecimentos têm seus limites, como mostra a resposta a sua pergunta:
Se o Universo é finito ou infinito ninguém sabe. Só conseguimos observar objetos que atualmente têm uma distância até uns 15 Gigaparsec (~46 bilhões de anos-luz) de nós. A luz de objetos mais distantes ainda não chegou na Terra, até se foi emitido na época do nascimento do Universo. Então a parte observável do Universo é finita.
Segundo os mais recentes dados sobre a geometria do espaço, o nosso Universo é plano, eu euclidiano. Isto quer dizer, sem curvatura, igual como um plano mas com uma dimensão a mais. Isto sugere que o Universo poderia ser infinito.
Se o espaço fosse curvo como a superfície de uma bola (com um dimensão a mais), o Universo poderia ser finito, mas isto parece não ser o caso.
Em resumo, pelo que os dados observacionais indicam, o Universo é infinito, mas como dito, ninguém sabe isto com certeza. Observações futuras podem trazer surpresas.

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Olá, Mestre!!! Estava vasculhando a web e lembrei de um site muito legal que imprimi, há alguns anos, alguns exercicios de astronomia....http://sci.esa.int/education/35011-exercises-in-astronomy/ Quando o senhor puder dar uma breve olhada, talvez irá gostar também!!!!! Sou seu aluno na UFABC

Caro aluno meu,
obrigado pela dica!
Já dei uma olhada "por cima" e gostei. Dá pra aproveitar este material para aulas e listas também.
Nem precisava mandar no anonimato, isto não cai mal não!
Abraço

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olá, descobri seu ask navegando na internet, te agradeço por se colocar a disposicão para responder esses assuntos que tanto "embaralha" a cabeça de leigos como eu. minha pergunta é a seguinte: A lei de hubble fala que quando observamos galaxias 2x mais longe da nossa, as mesma estão se afastando a

A pergunta foi cortada, a pergunta completa é:
olá, descobri seu ask navegando na internet, te agradeço por se colocar a disposicão para responder esses assuntos que tanto "embaralha" a cabeça de leigos como eu. minha pergunta é a seguinte: A lei de hubble fala que quando observamos galaxias 2x mais longe da nossa, as mesma estão se afastando a uma velocidade 2x mais rapído, as de 3x Mais longe se afasta a vl 3x mais rapido e assim por diante. isso significa que a nossa galaxia e o centro do universo ? até pesquisei a respeito mas não achei e não entendi muita coisa.
Minha resposta:
Olá,
Realmente, dá a impressão que estamos no centro da expansão e, então, do Universo. Visto da nossa Galáxia, as outras galáxias estão se afastando seguindo a Lei de Hubble.
Mas imagine que o espaço entre todas as galáxias está expandindo uniformemente, quer dizer expandindo da mesma maneira em todos os lugares, o que resulta na Lei de Hubble. De QUALQUER galáxia, as outras galáxias estão se afastando seguindo a Lei de Hubble.
Talvez é mais fácil de entender olhando para esta imagem, naquela o tempo corre de baixo pra cima: Visto da galáxia verde, as outras galáxias estão se afastando uniformemente, e visto da galáxia azul, as outras galáxias estão se afastando uniformemente TAMBÉM, etc.
Ou seja, QUALQUER galáxia se "sente" o centro do Universo. Na verdade, o Universo não tem centro.
Espero que deu pra entender. Senão, não hesite de fazer outra pergunta.
Abraço

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Como se tem a certeza que uma estrela está a tantos anos -luz da terra ? não seria necessario viver os milhares de anos para se observar essa distancia, ja que, quando os primeiros estudos foram feitos a luz da estrela ja estava aqui a muito tempo?

Boa pegunta. A distância que determinamos é a distancia entre a posição, onde a estrela estava na hora da emissão da luz, e a nossa posição atual.
Mas esta distância não é muito diferente da atual distância. É possível determinar* a velocidade da estrela em relação a nós, e esta velocidade é bem menor que aquela da luz. A consequência é que a estrela não se deslocou muito desde que ela emitiu a luz que recebemos hoje.
*Caso você quer saber, como se determina esta velocidade, sinta se à vontade de mandar outra pergunta.

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Olá professor! Sou aluno da UFABC e gostaria de saber se há algum plano de abrir uma turma de Noções de Astronomia e Cosmologia no período matutino ou vespertino. Eu vi que tem uma turma nesse quadrimestre (2014-2), porém é a noite. Tenho grande curiosidade pelos temas que a disciplina aborda!

Olá,
infelizmente, este quadrimestre vai ter só aquela turma de noite mesmo, da professora Laura.
Eu queria dar uma turma também, mas me alocaram em outra disciplina. Se você não consegue assistir aulas à noite*, espero que você consiga ano que vem.
Abraço e desculpe por não ter notícias melhores
*Caso você tem disponibilidade de noite, mas não conseguiu se matricular na matéria, ainda existe a possibilidade de seguir as aulas como ouvinte. Acho que a profa Laura aceita ouvintes.

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Sou estudante de Ciencia da Computacao e admirador de Astronomia, existe algum livro introdutorio que mescla computacao cientifica aplicada no estudo de astronomia ou algo semelhante?

Olá,
em português vai ser difícil, mas se você sabe ler inglês, os seguintes livros são sobre o assunto:
Paul Hellings:
Astrophysics With a PC: An Introduction to Computational Astrophysics
Editora Willmann-Bell
Peter Bodenheimer, Gregory P. Laughlin, Michal Rozyczka, Harold. W Yorke:
Numerical Methods in Astrophysics: An Introduction
Editora CRC Press
No anexo do livro que eu uso na disciplina Noções de Astrofísica e Cosmologia:
B. W. Carroll & D. A. Ostlie:
An Introduction to Modern Astrophysics (2nd editon)
editora Pearson / Addison Wesley
há a descrição de programas para órbitas de planetas, estrelas binárias, estrutura estelar e interações de maré (gravitacionais) entre 2 galáxias modelos.
Os próprios códigos destes programas estão disponíveis em Fortran 95 e C++ no site que acompanha o livro:
http://www.aw-bc.com/astrophysics
Espero que um destes livros esteja do seu interesse.
Abraço

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Como e qual é a órbita que a ISS ocupa? Ela acompanha a linha do equador ou algo parecido (digo, ela sempre passará na mesma latitude e longitude para nós aqui na Terra)?

Eru Iluvatar
Olá,
o órbita da ISS é diagonal em relação ao equator, tal que ela "varre" maior parte da superfície de Terra menos as regiões em torno dos polos.
Uma figura que mostra bem a parcela da Terra coberta pela órbita da ISS se encontra aqui: http://www.nlsa.com/images/gallery/large/gallery1.gif
Tem vários sites, onde você pode acompanhar a posição da Estação Espacial em tempo real. por exemplo:
http://iss.astroviewer.net/
http://www.isstracker.com/
e outros
Abraço

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Queria saber qual o cálculo utilizado para calcular a força expansiva (resultado da liberação de energia da fusão nuclear) versus a gravidade, que gera a fusão. Sabemos que a morte estelar acontece quando ocorre desequilíbrio dessas forças e as consequências dependem da massa. Existe esse cálculo?

Eru Iluvatar
Olá, obrigado por esta pergunta difícil!
Sim, existe este cálculo, mas não posso dar uma fórmula.
São cálculos numéricos feitos por computadores poderosos.
Eles calculam a evolução de uma estrela da sua formação (o colapso da nuvem de gás proto-estelar) até a sua "morte", dividindo este tempo em passos "curtos", de ~100'000 anos mas pode ser bem menos, em fases mais agitadas da evolução da estrela. Em algumas fases é necessário usar passos de tempo da ordem de segundos!
Para cada passo de tempo a estrela é subdividida em camadas concêntricas finas. Para cada camada são calculadas densidade, pressão (de matéria e da radiação), temperatura, composição química, taxa de cada reação nuclear e energia produzida, usando os valores destas grandezas do passo anterior e das camadas vizinhas e as leis da física que determinam as relações entre estas grandezas e a sua evolução.
São cálculos muito complicados. Os mais sofisticados destes códigos levam de semanas a meses para calcular a evolução de uma estrela. Eles ainda não são perfeitos, mas estão definitivamente no caminho certo, já que eles conseguem prever bem as propriedades da maioria das estrelas observadas, incl. as suas fases finais, quando a estrela morre como Nebulosa Planetária + Anã Branca ou Supernova + Estrela de Nêutrons/Buraco Negro.
Espero que consegui responder a sua pergunta. Senão não hesite de mandar outra pergunta.
Abraço

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Tenho uma dúvida: Pq o eixo de Vênus é de 177º e não -3º? Quando dizemos 177º me dá a impressão de que está de "cabeça para baixo". Se olhamos essa imagem ( http://astro.if.ufrgs.br/planetas/obliquity.jpg ) o eixo dele está de acordo "para cima" como os demais planetas (exceto Urano). Pode me ajudar

você tem razão, uma inclinação de 177° significa mesmo "de cabeça para baixo". Mas 177° é quase meia-volta, tal que o eixo de Vênus é quase paralelo ao eixo da maioria dos outros planetas (tirando Urano), mas apontando na direção oposta.
O motivo para dizer 177° e não 3° (ou -3°) é que este ângulo não informa apenas a direção do eixo, mas também o sentido da rotação do planeta em torno deste. Os 177° (meia-volta) significam, que a Vênus gira no sentido oposto em torno do seu eixo que os outros planetas (de novo tirando Urano). Se diz que Vênus tem "rotação retrograda". Uma consequência disso é que para um hipotético morador da Vênus, o Sol nasce no Oeste e se põe no Leste.
Teria sido melhor, se eles tivessem colocado a flecha que mostra o sentido de rotação na parte de baixo da figura, um torno do pedaço do eixo que sai do polo sul da Vênus (No caso de Urano fizeram isto melhor).
Espero que minha explicaçõe deu pra entender. Senão, não hesite de me contatar de novo.
Abraço

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Fiquei sabendo do curso agora, se eu for simplesmente já sou um "inscrito" ou só é inscrito quem for nas primeiras aulas?

Qualquer um está sempre bem-vindo no curso, desde que há lugar na sala.
Se você começar agora e faltar em nenhuma aula, ainda conseguirá os 70 % necessários para ganhar o certificado no final. Mas mesmo assim seria uma pena você ter perdido as aulas sobre o Sistema Solar.
Uma possibilidade é fazer o que sugeri na peregunta anterior: fazer o curso a partir de agora, e assistir as aulas que você perdeu ano que vem.
Abraço

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