Ask @SilvioZanin:

Quanto você se identifica com a filosofia Kantiana?

Zuko
A distinção de juízos (analítico, sintético a priori e sintético a posteriori), suas considerações a respeito dos conceitos (como representações gerais mediatas do que tem em comum a um indivíduo) e da sua síntese do racionalismo x empirismo (criticismo). Estou com o Crítica da Razão Pura e quero terminar de ler. Eu leio antes, artigos e os verbetes nas Enciclopédias de Filosofia, para ver se vou gostar e estar conforme com pensamento de algum filósofo, a ponto de me aprofundar. Aconteceu com Kant.

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Tudo se resume a lógica?Existe algo que não parta,ou não obedeça ela?E como o pensamento seadequa a lógica uma vez que consigo,contrariando os dizeres de wittgenstein,descreverum corpo ocupandodois espaços ao mesmo tempo?E seisso segue anossa atual lógica,quais são as regras da lógica(citadapor ele)

Zuko
Não. Há outras áreas que fornecem uma visão sinóptica do conhecimento. Dentre elas, cito: Metafísica e Epistemologia. A Lógica é uma disciplina cujo domínio se intersecta com todas as áreas do conhecimento, em termos de aplicabilidade, mas é uma disciplina a parte dessas outras. Depois que a Lógica em si não serve como uma ferramenta para se verificar algo empiricamente, por exemplo. Mas pode servir como uma disciplina para nortear os diferentes tipos de raciocínio (se você extraiu alguma conclusão de modo válido, por exemplo) e de pensamento que se pode ter, considerando as diferentes possibilidades de veracidade das proposições e até, uma categorização das modalidades aléticas referentes às sentenças (por exemplo, possibilidade, necessidade e outras). A Lógica evoluiu muito da aristotélica, que é a bivalente clássica. Dependendo do caso que se considera, uma proposição pode por exemplo, assumir diferentes níveis de veracidade. Isso pode ser associado às hipóteses que se propõe, quanto as suas probabilidades. A inferência bayesiana trata justamente disso, da probabilidade de uma hipótese ser verdadeira, relacionada aos dados que se colhe a respeito, em relação à probabilidade da própria hipótese com um fator de verossimilhança, relacionado à compatibilidade do dado com a própria hipótese. Numa lógica fuzzy por exemplo, as valorações de uma proposição assume valores reais (os valores reais entre 0 e 1, onde 0 é falso e 1 é verdadeiro). Quanto a questão dos corpos, primeiro que isso só é válido para sistemas materiais. Sistemas bosônicos por exemplo, podem ocupar o mesmo estado (em termos de spin e até, localização). Não existe um princípio de exclusão de Pauli associado a essas partículas. Isso é consistente porque você tem uma adequação entre as proposições contingentes associadas a um conteúdo descritivo, já que a valoração dessas depende da comparação que se faz com a realidade (já que elas figuram os fatos). As tautologias e contradições, dentro da visão tractariana, é que são destituídas de significado (sinnlos), apesar de fazerem sentido. Wittgenstein se baseou na lógica de Scheeffer e teve aulas a respeito com Bertrand Russell. Uma dos quadros existentes a respeito da lógica proposicional é o quadro dos conectivos de disjunção e conjunção, relacionado às proposições. As ditas "fórmulas" moleculares na verdade, são proposições atômicas ligadas por esses conectivos, cuja veracidade dependerá da veracidade e falsidade das proposições isoladas, que é justamente mostrado por esse quadro. No caso da conjunção por exemplo, a fórmula molecular associada só é verdadeira se e somente se a proposição P1 e P2 (vinculadas com o conectivo conjuntivo, ou seja, "P1 e P2") forem verdadeiras. Isso se estuda em lógica proposicional.

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Primeiramente, você é wittgensteiniano I ou II? Se for I, então entraria em contradição. “Deus existe?”

Zuko
Eu já disse que sintetizo o pensamento do Wittgenstein. Eu sou wittgensteiniano, mas sintetizo pensamento de vários filósofos, que inclui Aristóteles, Whitehead, Kant e o Doutor Angélico. Certamente que se eu fosse wittgensteiniano associado à sua fase tractariana, eu estaria sendo contraditório pois eu não penso que o pensamento seja uma proposição com significado. O "pensamento", por sua vez, seria então reduzido a uma figuração (ou imagem) dos fatos, que também tem um sentido bem específico na filosofia wittgensteiniana.

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Li que você gosta de Wittgenstein, Silvio. Pois bem, você acha que ele seria um irrealista científico, uma vez que ele é um realista lógico-matemático e um racionalista convicto?

Zuko
Wittgenstein não era racionalista. Isso é uma interpretação deturpada do seu pensamento. Para interpretar corretamente Wittgenstein, tem que ler diversas fontes. Como por exemplo, as considerações de Nordmann, Janik e Toulmin. Há interpretações que dizem que o Tractatus foi um escrito ético, por exemplo. Isso quer dizer que não haveriam proposições no Tractatus porque não havia nenhuma sentença declarativa associada a um conteúdo descritivo, como Wittgenstein apontou que eram as sentenças das "ciências naturais". Por outro lado, o fato de Wittgenstein ter reduzido a Filosofia ao seu aspecto linguístico (filosofia da linguagem) não implica que ele fosse um racionalista convicto. Quanto ao realismo lógico-matemático, isso é discutível. Wittgenstein I via a Matemática como um construto humano e nada mais. Ele não era um platônico, que é a concepção em filosofia da matemática que corresponde ao realismo. No entanto, não penso (até onde eu li sobre ele) que Wittgenstein era irrealista. Ele considerava que o mundo era feito de fatos e não objetos. Isso está no esquema geral do Tractatus. E tais fatos não eram elementos abstratos. Nesse sentido, Wittgeinstein não considerava que o que apenas existiam eram objetos abstratos ou algo assim.

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Se eu te pedisse pra tu listar tudo o que ama, quanto tempo levaria para citar o teu nome?

Poliana Ribeiro
O que você está querendo dizer por "amar"? Se quer dizer simplesmente gostar muito de algo, isso é uma questão e gosto e gosto não se discute. Eu gosto de algumas pessoas e de algumas coisas, que inclui eu mesmo. Não haveria motivos para eu ordenar quem eu gosto muito. Eu poderia começar falando a respeito de mim mesmo ou não.

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Algo que te inspire?

Carolaine Paloma
Vou citar um filósofo e duas obras: Ludwig Wittgenstein e Tractatus e Investigações Filosóficas. A primeira obra corresponde à sua primeira fase de pensamento, cujos pensamentos são identificados como Wittgenstein I e essa segunda obra corresponde à sua segunda fase pensamento, cujos pensamentos são identificados como Wittgenstein II. Eu sintetizo essas fases de pensamento, embora hajam controvérsias em relação às existências de fases de pensamento nuançadas, por exemplo. Uma das frases que Wittgenstein disse foi a seguinte: Sag Ihnen, ich hatte einen wunderbares Leben“ do alemão para "Diga-lhes que tive uma vida feliz.".

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Se assumirmos todas as coisas como abstrações, estaremos sendo irrealistas? Por exemplo, se você mudar todas as partes do seu corpo, átomo por átomo, como a natureza já o faz, você não seria mais você materialmente, mas apenas abstratamente, podemos assumir isso para nações, pedras, elementos, tudo.

Zuko
O que faz ser algo ser o que ele é o seu predicado essencial, isto é, o que o caracteriza como sendo aquilo e não outra coisa. Aristóteles distinguiu duas substâncias: a substância primária e a secundária. As substâncias primárias são as entidades individuais que pertencem a uma certa categoria. As substâncias secundárias são tipificações das primárias. Assim, tem-se que as substâncias secundárias são classes de entidades individualizadas e as substâncias primárias são as espécies dessas classes. O exemplo são os planetas. Planetas, assim como pessoas, pedras, moléculas e outras coisas são categorizados como sendo matéria. Se por acaso eles tivessem uma essência distinta, eles não poderiam ser o que seriam. No caso de um ser humano, o que faz ele ser o que é o seu dna (ou seja, a essência está na componente genética). Altura, formato facial e até mesmo a massa de cada ser humano são propriedades acidentais. Acontece que você pode relacionar abstratamente o que existe por trás da existência concreta e objetiva de algo. Por exemplo, para você dar uma explicação completa da existência de alguma entidade, você precisa associá-la com as 4 causas - a saber, a causa material, a causa formal, a causa eficiente e a causa final. Mas nem sempre você tem uma determinação dessas causa e nem sempre há mesmo essas causas. Imagine que existe uma pessoa que está devendo para a outra. Imagine que o credor sai para comprar pão e o devedor sai para ir até uma loja de flores, que fica perto da padaria. Então, eles se encontram e o devedor acaba pagando a dívida ao credor. Nesse caso, não há uma causa final identificada para esse tipo de evento. Não foi o fato do devedor ter saído até a loja de flores que o fez pagar ao seu credor. Do mesmo jeito, a razão, finalidade ou propósito relacionado ao credor receber o dinheiro da dívida não foi porque ele saiu de casa para comprar pão. Foi uma coincidência. Nem sempre, então, você consegue explicar ou dar um quadro completo de explicação a respeito do que quer que seja. Muitas vezes tais causas podem não ser determináveis ou podem nem existir. No caso da causa formal, ela está relacionada com a essência de algo e a causa material com o substrato determinável (relativo à composição de algo). O exemplo é uma estátua de Zeus e a estátua de Héracles. Ambas são feitas de mármore, mas possuem formas distintas. O arranjo relacionado ao estado de cada uma é distinto. Elas são essencialmente distintas. Todavia, tais causas são abstrações. Claro que o mármore é algo fisicamente real e a forma que uma estátua tem também (ora, você pode visualizá-la!). Mas o conceito das causas, que se relaciona com tais entidades é que é algo abstrato. Uma espécie de visão irrealista poderia advogar que não existem entes reais e apenas abstrações ou representações mentais de entidades que são percebidas "externamente". No entanto, mesmo que não se possa refutar tal concepção, ela é implausível. Não se pode cognizar (erkentniss) a coisa em si (noumeno

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Você acredita em sinais proféticos?

♏ Tαisinhαh prα vc ✘‿✘
Não. Porque para mim, tudo o que eu vejo, tudo o que eu sou capaz de experimentar e observar no universo, é uma parte de Deus. A minha concepção panendeísta basicamente diz que o universo é uma parte de Deus (conserva isso do panteísmo e do pandeísmo, isto é, o aspecto da imanência) e que Deus, ao mesmo tempo, transcende o universo (aspecto do deísmo). Isso é o panendeísmo. Deus, no entanto, não interfere em nada que ocorre no universo. Digo, ele é consciente, inteligente, onipotente, onisciente, onipresente e possui vontade, mas não é bondoso. Ele não interferiu em nada (refiro-me à sua parte que transcende o universo) desde que o universo evoluiu do big bang. Mesmo que o universo seja eterno, essa crença ainda é preservada, pois Deus deve ser entendido como uma causa eficiente per se (in esse) e não per accidens (in fieri). Ele é uma entidade que é puro ato e que sustenta a existência do universo e todo o movimento de todas as partes do universo.

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Você conseguiria refutar a argumentação ateísta do professor Rückert?

Zuko
Tem alguns argumentos que mostram que Deus existe. Falar que "provam" é difícil porque existe pelo menos dois tipos de "prova". Uma que é suficiente para casos matemáticos e lógicos em geral e outra que se por acaso não fosse uma "prova", o trabalho de perícia criminal estaria condenado. Os argumentos são os cosmológicos tomistas (de acordo até com o conhecimento empírico de Física, até considerando a possibilidade do universo ser eterno (Deus nesse caso seria uma causa per se (in esse) e não per accidens (onde há uma passagem de potência a ato in fieri)), sintonia fina e ontológico.

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É verdade que você se tornou anarquista por conta da boa fala do Ernesto?

Zuko
Não. Porque na verdade, eu considerei que a concepção anárquica-comunista é bem óbvia, considerando que você não é mesquinho e está interessado que os outros tenham os mesmos direitos, as mesmas oportunidades, inclusive de pelo menos tentar ter as mesmas virtudes. Isso não é nada utópico. Como dizer que é irrealizável? O problema é que muito improvável que ocorra, no meu ver, esse regime. Mas que é o ideal, é sim. Nisso eu divirjo do Ernesto, que talvez seja mais esperançoso.

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O que mais te chama atenção em uma pessoa?

Manu Gomes
Bom, para não ser obscuro, vou ser direto. Para eu gostar de uma pessoa (e isso tem a ver com o que me chama atenção nela) a ponto de namorar e não ficar (já passou da época de "ficar"), ela precisa ser uma pessoa que tanto me atraia sexualmente quanto pelo o que ela apresenta internamente, seja seu modo de agir, seja seu comportamento e seja o que ela pensa de um modo geral a respeito do mundo. Eu não namoraria e ficaria para o resto da vida com pessoas ignorantes e condescendentes. Não ficaria com pessoas que não conseguem me entender corretamente (por exemplo, me interpretam errado, são mais emocionais do que racionais ao tentar entender o que eu digo e o que eu proponho, tanto dentro quanto fora desse relacionamento e também, não conseguir filtrar momentos voltados à interação do par e momentos em que se realmente SE PRECISE haver um afastamento das duas pessoas, como na hora de estudar, que no meu caso, é quase que constante, uma vez que estudo e leio algo todo dia e faço faculdade de Física), pois isso poderia prejudicar o nosso relacionamento. Também não toleraria infidelidade num relacionamento. Caso um vá para a casa dos pais do outro para se conhecer melhor e ser conhecido, precisa falar com toda a legitimidade se está se sentido bem conversando com os pais dessa pessoa e igualmente, se não está. Acho que a união de duas pessoas que realmente se amam quer dizer que uma pessoa além de gostar de receber carinho, atenção e até elogios de outra, ela também precisa demonstrar que gosta de proporcionar isso a outra pessoa. Caso contrário, ela não amará a outra pessoa, mas amará a si mesma. E isso é um tipo de egocentrismo. Não se pode haver isso num relacionamento já que se for sério, isso pressupõe uma união fiel das duas pessoas que se relacionam. Vou dar outro exemplo: Se por acaso um dos dois se arrumou para ir a uma festa e a outra pessoa não gostou do traje e não achou que esteja vestido apropriadamente e de forma elegante, isso precisa ser dito com toda a sinceridade. Ora, se a outra pessoa realmente ama a outra, ela precisa levar em conta a sua consideração sincera e legítima a seu respeito. Se isso não existir na relação de duas pessoas, para mim, não há como existir um relacionamento sério autêntico e que dure para a vida toda. Pelo menos, no meu caso.

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