Mais uma noite em claro.
Mais uma em que aquele aperto no peito e tão forte que não o consegues parar.
Mais uma vez sinto me sozinha e perdida.
Olho para o tempo e o mesmo não é meu amigo, vejo os anos perdidos e agora nada faz sentido nenhum para mim, nada muda depois disto, não tive possibilidade de estar a teu lado quando precisastes de mim, porque eu não seria como tu que me abandonara quando mais precisava de alguém para estar do meu lado e me ensinasse as coisas bonitas da vida.
Devias ter sido tu que ia agarrar a minha mão e incentivar me a dar os primeiros passos, devias estar presente quando dissesse as minhas primeiras palavras,
devias ter estado no primeiro dia da escola e eu agarrar me a ti e pedir te para não ir para lá, devias estar lá quando eu caia e ralava os meus joelhos por tentar andar de bicicleta e não saber, devias estar lá durante as dolorosas noites em que estive doente ou que precisava de ir para o hospital por uma crise de ansiedade ou de asma, devias estar lá disposto a ter-me nos teus braços quando alguém na escola gozava comigo, ou então alguém me mandava a baixo, e eu me sentia fraca como ainda me sinto quando essas situações acontecem, devias ter me protegido e amado, mas isso não aconteceu, por muito que tivesse pedido, isso não aconteceu.
E agora tu não estás mais aqui, não posso olhar nos teus olhos e dizer que te perdoava por todos os erros que cometeste, e até mesmo magoado da maneira que me magoaste.
E mesmo ainda magoada, porque é algo que fica sempre marcado na vida de uma pessoa, eu não sou assim, eu não sou capaz de te abandonar mais uma vez como talvez tu tivesses coragem para o fazer, mas como eu disse eu não sou assim, não guardo rancor de nada, muito menos de ti, eu perdoo te por tudo o que aconteceu, desde o início até o fim, todas as adversidades que existiam no nosso caminho, todos os maus momentos e tudo o que poderia ter acontecido eu perdoo te.
Podias não ser exemplar, nem nunca estives presente na minha vida assim como eu desejava e desejei, mas és sangue do meu sangue, e não consigo deixar passar isto que se está a passar, já não estás aqui e sinceramente sem falsidade alguma espero que estejas num lugar melhor, e eu cá em baixo num lugar de errantes vou ficar até o meu próprio dia chegar.
Comigo vou guardar apenas aquela boa memória em que pela primeira vez brincaste comigo, que senti que me amavas, e ai eu era tua filha, e mesmo com tudo o que fazias eu senti que ali poderia ser o meu lugar.
Como sempre disse isto não é um adeus é um até já,
Descansa em paz p.
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