Alexandre Nagado
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Eiji Tsuburaya ou Shotaro Ishinomori?

Não há uma resposta possível, pois foram dois gênios de áreas distintas. Admiro demais o trabalho de ambos.

Na área de tokusatsu (que é bem menor que a de mangá e animê), pode-se dizer que Tsuburaya foi a pedra fundamental. Ishinomori foi um dos maiores autores de mangá de todos os tempos, mas em termos de relevância histórica, é sabido que Osamu Tezuka possui um peso maior. Mas não gosto de ficar comparando. Os dois foram gênios em suas áreas de atuação e merecem todas as honras e reconhecimentos.

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existe algum monopólio ou oligopólio no mercado dos mangás no Japão por parte de empresas? algo similar a DC e Marvel nos USA?

Não, o mercado japonês é bem diferente. Lá, existem três grandes editoras: Shueisha, Kodansha e Shogakukan e cada uma delas é uma força motriz imensa, mas não como Marvel e DC nos EUA. No entanto, gostaria de ampliar um pouco para a área de licenciamento e outras mídias.

A Bandai financia produções, produz e distribui licenciamentos de personagens de diferentes editoras, produtoras e estúdios. É a grande potência do entretenimento japonês ligado à mangá e personagens derivados. Mas eu precisaria ter mais conhecimento sobre a situação de outras empresas e suas abrangências para poder dizer com certeza se há algum tipo de monopólio ou oligopólio.

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Qual é o maior desafio que você está enfrentando agora?

Administrar bem o tempo. Esse é um desafio eterno: conciliar família, trabalho, projetos pessoais e ainda sobrar um tempo pra não fazer nada, para poder descansar.

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Os mangás da Shonen Jump são feitos já planejados pra virar anime?

Alguns, sim, outros não. Geralmente esse tipo de coisa acontece com autores já conhecidos. Mas sem dúvida, todo autor iniciante (ainda mais na Shonen Jump) sonha em ter sua série vertida para animação ou mesmo live-action.

O que acontece é que alguns com grande potencial para gerar lucro podem desenvolver projetos que correm paralelamente, com mangá saindo quase ao mesmo tempo em que o animê.

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O Regresso de Ultraman era pra ter sido o Ultraman original? Sei que o nome "Jack" só veio anos depois.

Sim, inicialmente a série "O Regresso de Ultraman" seria estrelada pelo Ultraman original, com um novo hospedeiro. Após a morte de Eiji Tsuburaya em 1970, o estúdio foi assumido pelo filho Hajime, que coordenou a criação de um novo Ultra. Como o nome "Kaettekita Ultraman" já fora licenciado, mantiveram o título. E sim, o nome Jack veio em 1984, época do longa de compilação das séries, intitulado "Ultraman Zoffy".

No blog Casa do Boneco Mecânico, há um texto bastante completo que explica a questão do nome do personagem e da série.

https://www.youtube.com/channel/UCzLtKasUj5agj2Gjvw83ZoQ

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Querer Tokusatsu de volta à TV é uma briga perdida?

O tokusatsu não está totalmente fora da TV. A Rede Brasil ( http://www.rbtv.com.br ) está exibindo Ultraman e Ultraseven em suas madrugadas. Não sei se tem mais alguma coisa passando, pois não tenho acompanhado nada na TV ultimamente.

Agora, querer séries novas eu acho complicado, pois há muito preconceito ainda com esse tipo de programa e os fãs hardcore já assistem tudo na internet (oficial ou de fansubber) ou via DVD pirata.

Atualmente, a internet é mesmo o melhor meio para ver tokusatsu. Temos o canal Tokusatsu TV ( https://www.youtube.com/channel/UCzLtKasUj5agj2Gjvw83ZoQ ) e os títulos disponíveis no Crunchyroll e Netflix. E são todos canais oficiais, então pode ver e divulgar sem prejudicar o mercado. Temos mais é que apoiar essas iniciativas oficiais.

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Quais são as patrulhas das séries Ultras que mais marcaram?

Sinceramente, não saberia dizer. Nunca cheguei a ver nenhum tipo de pesquisa séria com esse tema. O que eu arrisco dizer, pelo número de referências, é que foram a Patrulha Científica e o Esquadrão Ultra as equipes que mais marcaram época. E eu gostava muito do MAT (G.A.M., no Brasil).

Me parece que as equipes GUTS (Ultraman Tiga) e Crew GUYS (Mebius) foram bem populares, mas é apenas especulação. Mas eu gostaria de ver um dia alguma pesquisa feita com o público japonês enfocando essas equipes.

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PQ os efeitos especiais de Cybercops eram tão toscos (mais até do que o de produções mais velhas)? E aquela história de "Unidade Venus" era mesmo verdade? Abraços! Juan

Apesar de ter sido produzido pela poderosa Toho (de Godzilla), Cybercop foi uma série que recebeu pouco orçamento. Mas sua equipe criativa teve boa liberdade de trabalho e por isso a série saiu bastante divertida e movimentada.

Sobre a Unidade Vênus, ela constava em fichas de personagem da Toho e seria a armadura de Tomoko. Mas a série durou pouco e não houve verba e nem tempo para desenvolver essa unidade.

Para saber mais, indico uma matéria postada em meu blog, o Sushi POP:
http://nagado.blogspot.com.br/2014/11/cybercop-os-policiais-do-futuro.html

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O anime e manga são populares na Ásia da mesma forma que no ocidente ?

Nunca fiz uma pesquisa sobre isso. Mas sei que a estética japonesa exerce forte influência em vários países da Ásia, mais ou menos como os EUA no ocidente, com exceção dos países muçulmanos.

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Como foi fazer o Mangá Tropical em 2003? Foi você quem escolheu os quadrinistas participantes?

O álbum Mangá Tropical (Ed. Via Lettera) eu considero uma das melhores coisas que eu fiz nos quadrinhos. Sim, eu escolhi todos os participantes, menos um, que eu não conhecia e a Elza Keiko indicou pra desenhar o roteiro dela. Era o EdH Müller, que eu adorei o traço e ele até acabou fazendo a capa. Alguns eu convidei por telefone e outros, por e-mail, mas com todos eu tive contato pessoal. Foram eles: Marcelo Cassaro, Erica Awano, Fabio Yabu, Daniel HDR, Elza Keiko, EdH Müller, Arthur Garcia, Denise Akemi, Rodrigo de Goes e eu. O letrista Alexandre Silva, o arte-finalista Silvio Spotti e o colorista Salvatore Aiala foram os convidados especiais. E a Profa. Doutora Sonia Luyten nos brindou com o prefácio da obra.

Foi bastante desafiador fazer uma HQ para entrar no mesmo álbum que aquelas feras todas, e fiz o meu melhor. Todos se dedicaram e o resultado foi muito profissional, com uma boa repercussão. Houve até um convite da Via Lettera através do então editor Jotapê para que fizéssemos um volume 2, mas eu achei que seria complicado reunir o mesmo pessoal novamente. Royalties de um trabalho dividido entre tantos autores paga muito pouco e todos estavam muito atarefados com suas rotinas profissionais. Por isso ficou sendo uma edição única.

Ao longo do tempo, muita gente já me perguntou se foi muito difícil reunir tanta gente renomada pra um único álbum. O que me orgulha é que essa foi a parte mais fácil do trabalho.

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Você não acha incrível o fato do Japão ser força de entretenimento como os EUA? É difícil rivalizar com os USA nessa área.

O grande diferencial do Japão foi ter sempre buscado fomentar a produção local, criando produtos com maior identificação com seu público local. Os empresários perceberam que poderiam faturar mais e criar mais fidelidade do público se houvesse maior identificação.

No Brasil, os pioneiros do mercado de quadrinhos, como a EBAL, traziam os grandes clássicos das HQs americanas, mas não pensavam em incentivar igualmente a produção local.

Era - e é - muito mais barato e vantajoso trazer produtos prontos para apenas traduzir do que começar algo do zero. O Japão soube buscar essa regionalização de produção de cultura de massa e os resultados vemos hoje.

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Por que a maioria dos mangás de Shotaro são desconhecidos ? Sei que eles criou centenas !

Realmente, é estranho que ele seja pouco conhecido por seus mangás no ocidente. Não tenho a menor ideia da resposta.

Geralmente o pessoal associa ele como o cara que criou Kamen Rider e Super Sentai. Esses na verdade foram projetos em parceria com a Toei, surgidos a partir de diálogos criativos com o produtor Toru Hirayama. O material mais pessoal dele não é conhecido no ocidente, com exceção do Cyborg 009. Tomara que alguma editora ainda lance algo do Ishinomori por aqui.

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Você gosta de Cyborg 009?

Eu conheço a série mais por ler sobre. Vi alguns episódios do remake que passou no Cartoon Network, mas é só. Um dia eu quero acompanhar bem alguma fase ou ver um dos longas. Meu amigo Arthur Garcia é grande fã da série clássica e já me falou muito sobre os personagens. Só por ser de Shotaro Ishinomori, já acho que vale uma conferida.

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Qual o vilão mais foda que você já viu?

Hum, deixa ver... Acho que não tem um específico, então vai uma lista:
- Barão Ricks (Zillion)
- Desslock (Patrulha Estelar) - E quando ele virou aliado dos heróis, continuou f...!
- Kaura (Flashman)
- Shadow Moon (Kamen Rider Black) - Mas ignoro as versões posteriores.
E entre personagens ocidentais, tem:
- Exterminador (Novos Titãs)
- Thanos (Universo Marvel Comics)
- Darkseid (Univ. DC Comics)

Deve ter outros, mas esses são os que eu lembrei de imediato.

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Você gosta das hqs de baraldi ?

Sim, conheço o material do Marcio Baraldi há muito tempo. Tenho alguns de seus álbuns, como "Roko Loko & Adrina Lina" e "Vapt Vupt", entre outros. Cheguei até a escrever o posfácio de um deles, com muita honra.

Conheço o Baraldi pessoalmente há algum tempo também e posso dizer que ele é um cara divertido e com um grande coração. E, como eu escrevi uma vez, ele é um cartum ambulante. Grande figura!

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Voce lê chiclete com banana de angeli?

Eu lia, mas atualmente não acompanho o trabalho do Angeli. Mas nos anos 80, eu devorava quase tudo que saía. Comprava a Chiclete com Banana, Geraldão, Circo, Níquel Náusea... Mas a minha favorita era Piratas do Tietê, do Laerte. Foi uma época muito produtiva para o quadrinho nacional e os quadrinhos em geral gozavam de muito prestígio. Era fascinante entrar numa banca e ver tantos lançamentos.

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Você assistia Locomotion ?? Tinha cada anime !

Não assisti. Naquela época, em casa nós assinávamos uma operadora de TV a cabo que não tinha a Locomotion entre seus canais. Também não fazia muita questão, pois era uma fase em que eu estava meio desinteressado do assunto.

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Por que os comics ficaram basicamente associados a DC e Marvel ?? Existem bons comics fora deste eixo.

É a força do poder econômico, aliado a uma presença maciça na mídia, com os filmes de Hollywood, os games, brinquedos, desenhos animados na TV... É muito difícil se destacar no meio de tanta força. E os heróis tradicionais da Marvel e DC vendem bem também porque pagam alguns dos melhores profissionais da indústria de entretenimento, que sabem atingir grandes públicos.

Mas realmente há muita coisa bacana nos quadrinhos americanos fora desse eixo Marvel/DC. Love and Rockets, Concrete, Bone e alguns outros já saíram por aqui, mas o alcance deles é bem mais restrito do que o dos gigantes da mídia.

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Por que será que mangás de ninja, yakuza e baseball não são famosos ?? são 3 temas importantes no Japão!

Baseball é um jogo cujas regras e dinâmica não desconhecidos do público brasileiro em geral. É um jogo que nunca pegou por aqui e isso certamente dificulta o entendimento de uma história centrada nele.

O tema yakuzá já apareceu em Crying Freeman, mangá bastante famoso no Brasil no início dos anos 1990. A Conrad tentou lançar também Sanctuary, com temática yakuzá e não conseguiu completar. Desconheço o motivo. Aliás, vai ser muito difícil eu responder porque tal coisa faz ou não faz sucesso aqui (e vi outras perguntas parecidas). Basicamente, ou se gosta ou não se gosta. Eu não sou um cara indicado para analisar mercado. Analiso processos criativos, não tanto mercadológicos.

E sobre ninjas... Bom, o Naruto não conta? Um dos mangás mais famosos no Brasil é exatamente sobre ninjas.

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Sonia Luyten disse no livro dela que os chineses produzem manhua. Por que será que o manhua não conseguiu se destacar ainda ? (manhua também é produzido em Taiwan)

Sou ignorante em manhua. Arrisco dizer que parte disso se deve à censura existente na China, mas isso não explica tudo. Em termos de divulgação no Brasil, é por causa da colônia japonesa ser muito grande e antiga por aqui, o que facilitou muitas importações de títulos e troca de experiências. E os animês estão presentes aqui desde o final dos anos 60, fazendo o traço japonês ficar mais conhecido.

Com a expansão de negócios chineses em todo o mundo, esse panorama pode mudar com o tempo.

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Por que será que o mercado de HQs (feito por mulheres pra mulheres) em outros países não tem a força do Japão ?

Realmente, não saberia dizer. Nos EUA, houve algumas tentativas e até o "Rei" Jack Kirby chegou a produzir histórias de romance para o público feminino. Mas nunca deu muito certo. Talvez nunca tenham dado o devido espaço para autoras mostrarem o que outras mulheres gostariam de ler.

Atualmente nos quadrinhos de super-heróis, o discurso feminista tem ganho muita força, atraindo leitoras para uma área que sempre foi predominantemente masculina. Mas HQ especificamente por mulheres e para mulheres, acho que só tem força mesmo no Japão ou em países onde o mangá tem grande presença no mercado editorial.

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Você cpnhece algum texto que aborde a influência dos filmes de kung fu nos mangá e animes ?

Não que eu me lembre. O cinema de Hong Kong influenciou muito o Japão e Jackie Chan é uma grande celebridade por lá. Assim não é de se estranhar que o kung fu se faça presente na cultura pop japonesa.

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O Japão hoje é o unico país que tem forte mercado de HQs feito por mulheres pra mulheres. Qual o segredo deste incrivel feito feminino ?

Os editores de mangá no Japão buscaram segmentação de público desde o começo, para potencializar os lucros. Revistas com quadrinhos e contos para meninas já existiam no começo do século XX. A explosão do moderno mangá no pós-guerra, graças ao trabalho de Osamu Tezuka, também impulsionou o mangá shojo.

Nos anos 1950, Ribbon no Kishi (A Princesa e o Cavaleiro) de Tezuka, foi um fenômeno de vendas e deu muita força ao shojo mangá. Leiji Matsumoto (de Cap. Harlock e Patrulha Estelar) também fez mangá feminino em início de carreira, a exemplo de outros autores. As primeiras profissionais de destaque eram exatamente leitoras que tinham habilidades artísticas e queriam contar suas próprias histórias. Foi a identificação do público (da qual as próprias artistas faziam parte) que fez com que cada vez mais as mulheres fincassem o pé nesse mercado de trabalho. E assim é até hoje.

E falando em shojo mangá, não dá pra deixar de falar na revista Nakayoshi, que completou 60 anos em 2015. Na ocasião, ganhou post no blog Sushi POP. Confira:

http://nagado.blogspot.com.br/2015/11/60-anos-Nakayoshi.html

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Você crê que o anime é idolatrado no Brasil e outros países ocidentais por ser algo "exótico" ?

Acredito que não. Veja, a popularidade do animê em seu próprio país é muito superior à que existe no Brasil. Lá são dezenas e dezenas de produções inéditas em canal aberto, muitos títulos no cinema, um mercado gigante de DVDs e Blu-rays, fora a internet.

Acontece que os japoneses prezam muito a arte de contar bem uma história. A narrativa visual, a busca por criar enredos, situações e personagens que façam o público "entrar" na história, tudo isso contribui para que os desenhos animados japoneses tenham uma posição de destaque no mercado mundial de animação.

E na verdade, não dá pra falar de animê como se fosse algo padronizado. Não é, há muitos tipos de história, para muitos tipos de público. Tem Cavaleiros do Zodíaco, mas também tem os títulos do Studio Ghibli, tem o material do Makoto Shinkai, do Katsuhiro Otomo... São muitos criadores, muitos estilos.

Assim como no mangá, eu digo que, se uma pessoa diz que não gosta ou não consegue assistir animê, é porque não achou um título cuja história lhe despertasse interesse.

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Perguntaram sobre animes, então eu pergunto sobre mangás: tem algum favorito? Se sim, por quais motivos?

Meu mangá favorito é Maison Ikkoku, da Rumiko Takahashi. É uma comédia romântica sem elementos sobrenaturais ou fantasiosos, bem "slice of life" mesmo. Li a versão em inglês da VIZ Comics. É uma história divertida e com momentos tocantes.

Acho difícil que saia por aqui, mas considero a melhor série da autora. O roteiro é impecável, com situações criativas e personagens cativantes.

Também gosto muito de Dr. Slump, do Akira Toriyama, que felizmente vai sair pela Panini. Esse é comédia do início ao fim.

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About Alexandre Nagado:

Desenhista, redator e quadrinhista. 45 anos de idade, 28 de carreira. Veterano na divulgação e estudo da cultura pop japonesa no Brasil.

Ilha Solteira/ SP

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