Ask @rogercalibre:

Você acredita em almas pré destinadas? Em amor de outras vidas?

Não. Essa crença é absurda e inteiramente descabida. Pré-destinação não existe, como não existem também outras vidas além da única que temos, que é esta. Digo isso com base nas demonstrações de que a atividade mental e cerebral se encerram com a morte biológica dos organismos, não restando espaço para a ideia de uma alma imaterial que transcenda o corpo físico. A vida é um fenômeno finito e efêmero que começa com o nascimento e termina com a morte. Almas são apenas um dentre os vários conceitos criados por religiões para tentar oferecer uma explicação sobre o mistério da morte, diante do medo que muitos sentem de perder entes queridos e nunca mais ter a chance de voltar a vê-los. As religiões, então, se atribuem o papel de atenuar essas inseguranças. No entanto, tais explicações são equivocadas porque se baseiam, em primeiro lugar, numa profunda ignorância sobre o funcionamento da natureza e, em segundo, num estúpido e pretenso antropocentrismo, que insere o ser humano no centro de tudo, como se fôssemos, de alguma forma, superiores e diferentes dos animais e a todos os seres vivos, e não muito próximos de cada um deles, regidos pelos mesmos ciclos naturais. O amor, por sua vez, pode ser compreendido como uma sensação fisiológica e orgânica, embora seja passível ser moldada pela sociedade e pela cultura. Mas é fisiológica porque se trata de uma sensação que ocorre no nosso corpo, a partir de impulsos eletroquímicos que se iniciam no na complexa rede de vias sinápticas do nosso cérebro; e social porque também diz respeito à cultura, que transforma e altera essas sensações de modo a dar-lhes um sentido interpretativo no ambiente das relações humanas. Isso explica o fato de o amor romântico nem sempre ter existido, e o fato também de amores fraternais, maternos e incestuosos serem sentimentos que se expressam de diferentes maneiras, a depender de onde e quando eles se manifestam.

View more

Como eu vou trabalhar sendo que as vagas que tem praticamente todas pedem experiência e eu ainda não possuo essa tal experiência??? Triste isso. E apesar de ter concluído o ensino médio, a falta de experiência pesa muito no currículo. Eu estou sem perceptiva nenhuma do futuro 😢

Se você acabou de concluir o ensino médio e possui o suporte necessário continuar estudando, sugiro que você planeje uma graduação numa área do seu interesse. Se você realmente estiver diante do triste dilema de ter que escolher entre estudar e trabalhar, e não tiver nenhuma condição de empreender ambas as tarefas, então comece trabalhando em algum lugar que não exija tanta experiência no primeiro emprego, ainda que não seja o emprego dos seus sonhos. De início você não será tão valorizado, o que é lamentável, mas encare esse fato como um sacrifício temporário e provisório até você conseguir recursos para estudar mais e, assim, se especializar em algo que te satisfaça. Vai ser difícil, mas com o tempo algumas portas irão se abrir para que você possa se ajeitar na vida. O que você não deve fazer é se acomodar ou se sujeitar às humilhações de ninguém. Além disso, presumo que você ainda seja muito jovem, portanto tente ter mais parcimônia e menos ansiedade.

View more

você ainda tem esperança na humanidade ?

Pouquíssima. Existe uma lista imensa de problemas globais, nacionais, regionais e locais que todos nós deveríamos combater desde já, como as mudanças climáticas, a desigualdade social, a fome e a miséria, as guerras, o fundamentalismo religioso, o preconceito, a poluição ambiental e o maus tratos aos animais. É claro que existem milhares de pessoas que lutam contra esses problemas de forma inspiradora e corajosa, muitas vezes à custa de um nobre sacrifício pessoal. Contudo, mesmo a soma de todos esses esforços ainda é insuficiente para atingir resultados positivos. É preciso muito mais. Para a minha infelicidade, a maioria das pessoas permanece indiferente a esses males, principalmente por causa das distrações e futilidades oferecidas pela indústria do entretenimento, que soam mais atraentes do que a filosofia, a ciência, as artes, o amor e a sabedoria. Não consigo compreender como ainda é possível que tenta gente não se mobilize com o fito de estudar, aprender e se entregar à tarefa árdua de melhorar o mundo. Enquanto os estádios de futebol seguem lotados por pura imbecilidade, pessoas morrem de fome, animais padecem devido à poluição que causamos e outros tantos infortúnios se espalham pelo planeta a níveis próximos do irreversível. Ninguém deveria se dar ao luxo estúpido de usufruir de tanto prazer enquanto milhões de seres vivos clamam por socorro. Isso aumenta o meu pessimismo, mas não diminui a minha vontade de contribuir para o bem de todos.

View more

https://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/22/politica/1432322890_723960.html http://www.ihu.unisinos.br/169-noticias/noticias-2015/546515-dilma-deu-r-458-bilhoes-em-desoneracoes

Agora entendi. Acompanhei muitas notícias sobre esse momento e realmente foi um absoluto desmantelo para a economia do país. Inclusive eu também critiquei esse pacote de austeridade absurdo na época em que ele foi implementado. Sem falar que a indicação de Joaquim Levy como Ministro da Fazenda foi de uma incoerência sem tamanho, já que os valores que ele representa são os mesmos que Dilma tanto criticou na disputa contra Aécio para conseguir a reeleição. Até então, eu estava interpretando seus questionamentos e os dados que você apresentou como um problema interno e próprio do atual caso da Petrobrás. Por isso eu respondi que desconhecia esses dados nas pesquisas que fiz sobre esse setor. Mas agora eu entendi que você estava se referindo não apenas à Petrobrás, mas a uma visão mais ampla dos problemas econômicos que Dilma causou. Nisso estamos de acordo. Não considerei o problema nessa dimensão em minhas respostas.

View more

+2 answers in: “Ou seja, também onerava a todos e provocava grandes desfalques nos caixas da estatal.”

Medidas que foram iniciadas na gestão petista e expandidas na de Temer em nível hard. E é assim com a questão dos combustíveis. Dilma diminuía a tributação incidente sobre o combustível e, para compensar a perda, ou aumentava a tributação e/ou cortava despesas, inclusive as primárias.

Parte disso não é verdade. As medidas de Temer não são uma versão expandida da gestão de Dilma. É exatamente o contrário. Quase 37% das ações da Petrobrás são controladas por investidores privados ao passo que 50% são controladas pela União para atender e priorizar, pelo menos em tese, aos interesses nacionais, enquanto os bancos públicos brasileiros detêm os outros 13%. Do ponto de vista ideológico, o governo Dilma teve uma inclinação maior na gestão política e no papel social da Petrobrás, estando sempre aberto à discussão, é claro, o tamanho dos benefícios e dos malefícios que ela causou aos cofres públicos. Já Michel Temer e Pedro Parente, por outro lado, dirigiram a Petrobrás como uma empresa privada, embora ela seja pública de capital aberto e misto. Significa dizer que, ideologicamente, a Petrobrás se alinhou aos interesses dos acionistas privados. Pelo menos foi o que pude inferir depois de pesquisar muito sobre o assunto. Todavia, existem ainda muitos dados que não considerei e sobre os quais ainda não me aprofundei, então é possível que eu não esteja certo em algumas afirmações. Reconheço que essa questão é muito complexa.

View more

D 2011/2018, caso executasse integralmente seu mandato, Dilma teria concedido em isenção fiscal algo em torno de 500 bi, renúncia não acompanhada de um satisfatório retorno dos setores beneficiados. E essa política culminou na crise fiscal atual e na adoção de medidas austeras para remedia-la...

Assim que puder me envie as fontes dessas informações para que eu reconsidere as minhas opiniões. Lembrando que, como eu disse e repeti, não defendi a política de preços de Dilma como a melhor alternativa. Apenas considerei que ela era menos drástica do que a de Temer por colocar a questão social dos subsídios, ainda que insustentável a longo prazo, acima dos interesses estritamente privados (ou privatistas) de poucos acionistas. Há quem discorde disso, mas trata-se de um problema que sempre esteve em debate.

View more

+2 answers in: “Ou seja, também onerava a todos e provocava grandes desfalques nos caixas da estatal.”

Ou seja, também onerava a todos e provocava grandes desfalques nos caixas da estatal.

Isso de fato ocorreu. Mas a minha oposição não é à Petrobrás fazer compensações fiscais para amortecer, por termo determinado, o preço dos combustíveis para o consumo do povo. Minha oposição é quando essa compensação é feita mediante cortes injustificáveis em despesas primárias, como Temer o fez agora ao cortar verbas de setores como ciência e tecnologia, saúde e educação, tudo isso para agradar às reivindicações das grandes transportadoras por trás da greve dos caminhoneiros, greve esta, volto a dizer, fomentada por anseios justos de muitos trabalhadores (exceto pelos pedidos idiotas de intervenção militar). Esse é o tipo de conflito distributivo que qualquer presidente deveria evitar. No governo Dilma a Petrobrás subsidiava os custos do combustível mas pelo menos ela podia contar fontes de receita derivadas da Lei de Partilha, revogada por Michel Temer. A política de preços de Dilma era insustentável a longo prazo, mas relativamente aceitável, já que o papel da Petrobrás no Brasil não consiste em servir somente a interesses privados, e sim públicos e populares, ainda que ela tivesse que assumir maiores onerações e encargos. Tanto que os maiores desgastes do governo Dilma nem se deram pela política de preços da Petrobrás, mas sim pelos escândalos de corrupção e o conluio criminoso que os gestores faziam com as empreiteiras, trazidos à tona pela Operação Lava Jato. Uma verdadeira vergonha.

View more

+2 answers Read more

Vc defende a política de preços de combustível praticada na gestão Dilma, mas discorda do acordo firmado entre os grevistas e o governo Temer por onerar a todos. Mas a política daquela baseiava-se na renúncia de receita cujo déficit seria coberto por recursos públicos retirados de outras pastas.

Errado. Não defendi a política de preços vigente no governo Dilma. O que eu disse foi que, embora a gestão dela não fosse das melhores, ao menos suas medidas eram menos drásticas do que as ações mercadológicas de Pedro Parente e de Michel Temer, que, como já expliquei, foram impactadas pela desvalorização do real frente ao dólar e pelo aumento do preço do barril de petróleo em dólar no exterior. Antes do impeachment, a Petrobrás tinha o compromisso legal de explorar, no mínimo, 30% das reservas de pré-sal, algo que também gerava receitas cuja alocação, também definida por lei, aumentava os recursos da educação e da saúde, por exemplo. Dilma fez um péssimo governo e foi omissa ao não denunciar os esquemas de corrupção que assaltavam a Petrobrás. Se ela não sabia de nada, então ela era irresponsável e despreparada, ainda que isso não sirva de base legal para o impeachment que ela sofreu, que, a meu ver, foi um golpe descarado. A política de preços que eu defendo não é a de Dilma, mas sim a sugerida por Ciro Gomes, resumida no custo de produção por litro de combustível, nos investimentos e no lucro comparado ao competidores estrangeiros, reforçando, ao mesmo tempo, a capacidade que nós temos de refinar nosso petróleo bruto. Não concordo com Pedro Parente porque ele tratou a Petrobrás como um empresário à frente de uma empresa 100% privada que não deve satisfações ao povo, e sim ao mercado financeiro, o que não é o nosso caso, já que a Petrobrás é uma estatal de capital misto. Parente privilegiou uma minoria de acionistas em detrimento de nossa autossuficiência energética, e os resultados foram o aumento mastodôntico do preço dos combustíveis, a greve dos caminhoneiros e a decorrente crise de desabastecimento em centenas de regiões do país. Continuo na próxima resposta.

View more

depois dessa greve dos caminhoneiros o que vem de bom e ruim para o pais na sua opinião ?

lucas_dopemuzik
Quando a greve terminar, é importante que se diga que a crise de desabastecimento não se resolverá de um dia para o outro. Os setores produtivos do Brasil estão se prejudicando com a perda de insumos e de produtos perecíveis, como leite, verduras, legumes e laticínios, que não podem ser escoados para o mercado devido à dependência que eles tem do transporte rodoviário. Isso dificulta, também, a retomada da produção, pois a incerteza da continuidade ou não da greve ainda é uma realidade de muitos produtores e consumidores. Penso que levará alguns meses até as regiões mais afetadas serem novamente reabastecidas por esses produtos. Revoltante mesmo é que o acordo do governo federal com as grandes transportadoras foi um inteiro desastre. Além do preço da gasolina e do etanol permanecer exorbitante, as empresas obtiveram desconto no diesel de 46 centavos por 60 dias, cuja diferença de aproximadamente R$ 10 bilhões deverá ser paga com o dinheiro do próprio Tesouro. Ou seja, o contribuinte continuará pagando caro no combustível e ainda subsidiando a vantagem que as grandes transportadoras tiveram com esse desconto. Tudo vai mal.

View more

Apoia ou não a greve dos caminhoneiros?

Muitos se posicionam de um lado ou de outro sem antes refletirem cautelosamente sobre a questão. Do ponto de vista imediato, sou a favor da greve dos caminhoneiros, mas não sem antes tecer uma ressalva: considero que os pedidos de intervenção militar de muitos grevistas devem ser encarados como uma reivindicação ignorante e intolerável, além de um desserviço a qualquer movimento preocupado em encontrar soluções democráticas para os nossos conflitos. As forças armadas são subordinadas, constitucionalmente, ao chefe do Poder Executivo, e não há qualquer possibilidade de elas agirem sem ordem expressa do corrupto do Michel Temer. Do contrário, assistiríamos a mais um golpe repetindo o macabro 1964. Na verdade, a única intervenção militar que pode acontecer é aquela praticada contra a própria greve dos caminhoneiros. Por outro lado, concordo com a reivindicação de que Pedro Parente merece ser exonerado da presidência da Petrobrás, devido à mudança na política de preços equivocada que ele implementou. O que ele fez em outubro de 2016 foi vincular o preço dos combustíveis importados ao tabelamento do mercado internacional dos barris de petróleo e à cotação do dólar, de modo que, como o real está muito desvalorizado, acabamos pagando mais caro (em dólar) pela importação do petróleo refinado no exterior. Exportamos o petróleo bruto muito barato e importamos seus derivados por um valor de mercado estratosférico. No governo Dilma, pelo menos, a Petrobrás era obrigada, de acordo com a Lei de Partilha, a explorar 30% das nossas reservas de pré-sal, o que lhe dava mais autonomia para subsidiar os custos do aumento dos combustíveis, por tempo determinado, amortecendo um pouco o seu custo nos postos de abastecimento. Podia não ser a melhor política de preços do mundo, mas era, sem dúvida, melhor do que a praticada por Michel Temer, que ainda conseguiu revogar a Lei de Partilha para abrir nossos campos de petróleo aos conglomerados petrolíferos estrangeiros. Essa crise toda se deve, em parte, a esses problemas. Tudo isso acontecendo enquanto quase 1/3 de nossas refinarias estão ociosas. É um cenário muito crítico, que agora afeta, também, os produtores rurais, o escoamento de produtos sensivelmente perecíveis, o transporte público, as aulas em escolas e universidades e tudo o mais. E, lamentavelmente, isso resume apenas o começo.

View more

Qual livro influenciou você? De que maneira?

Impossível citar um só. Mas posso destacar os principais até agora. Anna Kariênina (Tolstoi), Crime e Castigo (Dostoiévski), Os sofrimentos do Jovem Werther (Goethe), Grandes Esperanças (Charles Dickens), Deus não é grande (Christopher Hitchens), O mundo assombrado pelos demônios (Carl Sagan), Desvendando o arco-íris e O Capelão do Diabo (ambos de Richard Dawkins), Ensaios Céticos e No que acredito (ambos de Bertrand Russell), Sobre a brevidade da vida (Sêneca), Notas sobre o anarquismo (Noam Chomsky), Deus e o Estado (Bakunin), A espiral da morte (Claudio Angelo), Sapiens: uma breve história da humanidade (Yuval Noah Harari), Hamlet (Shakespeare), O velho e o mar (Enerst Hemingway), A origem da espécie humana (Richard Leakey), 1984 (George Orwell), Imposturas Intelectuais (Alan Sokal e Jean Bricmont), enfim, todos esses e muitos outros livros não mencionados. De uma forma geral, essas obras contribuem para a formação do meu caráter e do meu intelecto. Gostaria de citar outros títulos que também já li, mas daria uma lista muito longa.

View more

A recusa da política é também uma atitude política?

Sim, porque as consequências de se evitar a política tendem a ser igualmente políticas, esteja o indivíduo consciente disso ou não. Cito exemplos: o sistema de preços, de impostos, de prestação de serviços públicos e privados, de mobilidade social, urbana ou rural, além de muitas outras coisas, são uma inerência de todo e qualquer processo de decisão política, só estando isento disso o indivíduo que se exilar completamente da sociedade. Reclamar do aumento do preço de combustível, dos alimentos ou dos remédios é sofrer os impactos diretos ou indiretos de nossa passividade e omissão, e a mera omissão, nesse caso, é uma escolha política, por mais que ela nos ofereça a sensação ilusória de ser não-política. Sem falar que, quando as pessoas preferem a inércia e deixam de reivindicar melhorias em seus direitos, não importa se apoiando bons representantes ou se pela ação direta, os maus políticos logo terão a chance de satisfazer seus próprios interesses às custas de todo o povo, e principalmente dos que se recusaram a tomar parte nesses assuntos. Bertolt Brecht fez uma reflexão interessante sobre isso. Chama-se O Analfabeto Político. Perceba: não é só O Analfabeto. É político também.

View more

Socialismo é um modo de produção?

Em termos econômicos, sim, e refere-se a uma sociedade em que os meios de produção, distribuição e consumo de bens deixa de ser determinado pelos interesses dos capitalistas para ser um assunto diretamente resolvido pelos trabalhadores. Em outras palavras, o socialismo reivindica que aqueles que produzem e trabalham tenham livre acesso às ferramentas e aos ambientes de trabalho, que passam a ser socializados em vez de restritos à propriedade privada dos investidores, empresários e empregadores. Mas o socialismo não se limita apenas à economia. Esse conceito também pode ser compreendido como uma concepção mais abrangente de questões políticas e filosóficas, bem como de outras formas de relações sociais, culturais e até mesmo diplomáticas. É muito comum, e também equivocado, associar o termo “socialismo” aos regimes totalitários que vigoraram na União Soviética e em seus satélites, pois aquela foi apenas uma das diversas vertentes que o socialismo possui, nesse caso, o socialismo de Estado ou ditatorial, também chamado de marxismo-leninismo, bolchevismo ou “capitalismo de Estado”, já que nesses países os trabalhadores se tornaram empregados de um único patrão: o governo. Ou seja, não houve socialização dos meios de produção, mas sim a concentração desses meios nas mãos de um classe de burocratas que se formou a partir dos processos “revolucionários”. Na prática, esses governos apenas substituíram as classes burguesas e aristocráticas que disputavam o poder estatal. Mas isso é um problema que posso discutir mais detalhadamente em outro momento. Enfim, existem vários “socialismos”, por exemplo, o socialismo libertário, o socialismo democrático, o socialismo científico, o socialismo utópico, o comunismo, o coletivismo e assim por diante. Cada um eles tem sua proposta econômica, social, política, filosófica e moral. Algumas são muito semelhantes e praticamente sinônimas; outras são incompatíveis e inconciliáveis.

View more

Perfeita a sua resposta quanto ao papel do intelectual, perfeita! Espero muito que o seu projeto de vida se concretize e que a sua fala se torne difusa. Um forte abraço!

E eu espero que cada vez mais pessoas se aliem a esse projeto e se dediquem a ele de todo coração para que possamos, sem demora, melhorar o mundo nem que seja um pouquinho. Para isso é preciso estudar muito, ler muito, escrever muito, ensinar e aprender muito. É uma escolha de vida que requer sacrifícios de nossas frivolidades. Foi com esse intento que decidi ser professor.

View more

Para você, o intelectual é um mero acumulador de conhecimento?

Não. Primeiramente, é preciso esclarecer que existem muitos significados para essa palavra. Dentre eles, o que eu mais admiro e aprovo foi o utilizado por Noam Chomsky em seu brilhante ensaio “A responsabilidade dos intelectuais”. Para ele, o intelectual não é um mero acumulador de conhecimento, mas sim aquele que fala a verdade e expõe as mentiras. Parece frase de efeito, mas faz todo o sentido vista de perto. Em nossa sociedade, apenas uma minoria de pessoas relativamente privilegiadas tem acesso a universidades, bibliotecas, arquivos e documentos públicos e artigos acadêmicos, dispondo de tempo para estudar, pesquisar e debater os assuntos que a grande maioria das pessoas não entendem corretamente por razões diversas, seja por miopia ideológica ou por simplesmente não terem condições para isso, já que estão sempre ocupadas e exaustas trabalhando muito para o sustento de sua própria família. Dentro desse cenário, existem poderosíssimas instituições públicas e privadas que vão investir bilhões de dólares em propaganda e publicidade de todos os tipos, tendo como única e imperativa finalidade doutrinar a população e mantê-la passiva e alheia a todo o processo de decisão político-democrática. O poder governamental e empresarial depende desse sistema de exploração para sobreviver, pois fora dele as pessoas certamente seriam uma ameaça permanente à concentração de poder político e riqueza nas mãos de poucos. É aí que o intelectual assume o seu papel de ser um elemento crítico e contestador. Não é em vão que o poder dominante quase sempre se vale de mentiras e meias-verdades para atender a seus objetivos políticos e econômicos em detrimento da transparência e dos fatos. O intelectual deve ser perspicaz para reconhecer quando um assunto está sob o domínio editorial da mídia, além de estar dia e noite ativo e disposto a esclarecer as questões que são ocultadas do interesse geral. Ser um intelectual não é se colocar no alto de uma torre de marfim, nem visualizar as pessoas de cima para baixo como se elas fossem uma plebe ignorante ou como se elas devessem ser lideradas por uma intelligentsia ou partido de vanguarda. Nada disso. O intelectual deve conviver com as pessoas comuns, que é o que todos somos, para aprenderem e ensinarem uns aos outros, sem jamais se entregarem ao pedantismo ou à corrupção, e enfim combaterem, todos juntos, toda e qualquer forma de manipulação.

View more

como você gosta de passar o tempo? Onde vai, o que faz?

Gosto de ler, escrever, estudar, conversar, assistir a filmes, escutar músicas, aproveitar o silêncio, correr ao ar livre, fazer exercícios físicos, passear com meus cachorros, aproveitar a companhia de meus pais, viajar para conhecer novos lugares e outra série de coisas. Como não tenho quase amigo nenhum, e os pouquíssimos que tenho não se interessam pelos mesmos assuntos que eu, aprendi a gostar de fazer quase tudo isso sozinho.

View more

Next