@srtucker

Pie ♡ Sofie

Então galera, vou postar umas coisinhas pra vocês curtirem porque já tiveram umas 30 perguntinhas depois da limpa e dai né. E ah, leiam o pequeno recadinho que tem na inbox pra vocês... Espaço livre!

₪ Tcheperguntas_ ☼
Ontem, por volta das 21h, eu estava no Centro da cidade esperando meu ônibus no ponto final. A fila – obviamente – era composta por pessoas cansadas, com expressões cansadas, com olhares cansados. Eu também estava, confesso. E, às vezes, quando se está cansado demais, você acaba perdendo detalhes, deixando muita coisa escapar por já ter perdido a vontade de raciocinar além do piloto automático (subir no ônibus, sentar, esperar, descer, chegar em casa).
Mas havia um gatinho de rua passeando entre as pessoas dessa fila. Eu comecei a observá-lo, atentamente. Ele era miúdo, magro, lindo. Muito lindo. Subitamente fui tomado por uma vontade avassaladora de levá-lo para casa. Me contive sabendo das consequências familiares dramáticas que isso causaria. Mas a vontade persistiu enquanto eu o seguia com os olhos, a passear entre as pessoas, e, diversas vezes, me desesperava pensando que ele seria pisado a qualquer momento, já que ninguém o observava.
Ninguém o observava. Ninguém se importava com o gato de rua. Deixei de observá-lo e foquei, discretamente, nos olhares ao redor. Ninguém se importava. Isso aumentou ainda mais a minha vontade de levá-lo para casa. Pensava: como deixá-lo na rua à mercê de pessoas que sequer notam a sua presença?! Como não notar a presença de um gatinho tão lindo e indefeso?!
Bem, meu ônibus chegaria a qualquer momento e eu não poderia mais acompanhar seus passos, tampouco protegê-lo (sim, era o que eu pensava naquele momento, que ali, comigo o observando, ele estava protegido).
Até que, passou por mim um homem com roupas gastas, descalço, carregando três sacos enormes com latas dentro. Novamente, como no caso do gato, ninguém o percebeu. Eu o observei. Ele colocou os sacos no chão e sentou no meio-fio, perto de mim, com um olhar muito mais cansado do que todos aqueles da fila. O gato se aproximou dele calmamente, e por um breve instante (zelando pela segurança do meu bicho de estimação temporário) fiquei com medo do homem o machucar. Bem, não o machucou. Pelo contrário.
Ao perceber a presença do gato, o homem o segurou com as mãos e abriu um largo sorriso (que foi contagiante e eu prontamente estava sorrindo também). Com uma alegria emocionante, como se sua vida não tivesse nenhum problema, ele começou uma sessão de carinho com o gato, enquanto ria e se divertia.
Eu os observei, sorrindo feito bobo. Eu estava feliz. Emocionado. Numa ação inocente decidi olhar as expressões dos que me cercavam, acreditando que todos estariam sorrindo também. Não estavam. Sequer os olhavam. O gato e o homem eram seres invisíveis.
Mas, naquela invisibilidade, eles se amavam. Faziam bem um para o outro. O homem não fazia ideia de como aquele carinho melhorou o dia daquele gato. O gato não fazia ideia de como aquele momento melhorou o dia daquele homem. Os dois não faziam ideia de como aquela cena havia melhorado minha alma.
E, antes de entrar no ônibus, eu dei uma última olhada só para me certificar de que ambos estavam em boas mãos.
Estavam.
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Latest answers from Pie ♡ Sofie

Alguém tem um bom livro pra me indicar? Pode ser qualquer gênero. Só não pode ser esses livros teens que todo mundo lê, porque me deixam completamente enojada.

As crônicas de Nárnia, A Cabana, A menina que não sabia ler, Mama, A menina que roubava livros, O menino do pijama listrado...

Qual a cena mais linda da copa até agora?

A cena que não mostra uma fila de pessoas doentes, um monte de brasileiro ateando fogo nas coisas e crianças sendo mortas pela linda BRT.

Language: English