Ask @wolfedler:

https://ask.fm/wolfedler/answers/147859586589 A defesa da Ética justificaria intervir no funcionamento de culturas diferentes e distantes da nossa, por exemplo, de grupos autóctones, com o objetivo de “civilizá-las”?

Ricardo Silas
Se se tiver interação com alguma cultura, não se pode ficar omisso em permitir comportamentos não éticos da parte dela sem intervir. Mas é preciso ter bem em mente o que venha a ser verdadeiramente não ético e não apenas imoral com respeito à moral vigente na cultura que pretenda intervir. Por exemplo, se a outra cultura for poligâmica, isso pode ser imoral para a cultura que a tenha contactado mas, absolutamente, não é anti-ético. Todavia algum costume, como a lapidação de mulheres adúlteras (mas não de homens) em algumas culturas árabes pode ser moral para eles mas é, absolutamente, anti-ético, de modo que é um dever intervir para acabar com isso.

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Por que alguns axiomas como associatividade, comutatividade, distributiva, desigualdade triangular se repetem tanto na matemática?

.ru
Associatividade, comutatividade e distributividade não são axiomas e sim propriedade de operações. Grande parte das operações definidas sobre vários conjuntos numéricos possuem essas propriedades que são, justamente, razões pelas quais elas se mostram úteis para muitos propósitos, especialmente para a manipulação de contagens e medidas. Quanto à desigualdade triangular é um teorema geométrico que se aplica apenas a lados de um triângulo e a nada mais.

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Em referência à postagem do Edson Macedo,leia https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Transtorno_de_personalidade_esquizot%C3%ADpica.

Auxiliadora Irber
Acho que a maior parte das pessoas que dizem que foram agraciadas por milagres em cultos das igrejas neo-pentecostais, em verdade, estão fazendo uma encenação teatral. Não são esquizofrênicas nada. Os pastores as cooptam em troca de algum benefício para que representem o teatro. As que acham mesmo que houve milagre são poucas, uma vez que milagre não existe. Há casos de eventos raros que podem passar por milagres e pessoas acharem que sejam mesmo. Mas... são muito raros.

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Se acha que um presidente legítimo deve ser capacitado, por que votou no Lula?

Bruno de Almeida
Porque quando votei, nas primeiras vezes que ele foi candidato, eu não achava, até que ele foi eleito. Achava que o carisma fosse o bastante. Foi, justamente, os governos petistas que me fizeram mudar de ideia. Depois que Lula foi eleito não votei mais no Partido dos Trabalhadores. Mas havia votado nas candidaturas anteriores em que ele foi derrotado.

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O que você acha do ditado vulgar que diz que os criminosos são vítimas da sociedade?

Ricardo Silas
Acho que as condições sociais podem, sim, dar azo a que alguém considere a possibilidade de se tornar criminoso. Todavia, sempre isso é uma escolha pessoal e completamente responsável, isto é, não se pode usar as condições adversas que a sociedade possa impingir a alguém como justificativa para que se torne criminoso. Tanto que a maior parte das pessoas que sofrem condições sociais adversas não se torna criminosa. Sempre se é capaz de se conscientizar de que o crime é errado e que nenhum erro é justificativa para que outro erro seja cometido. Claro que é preciso mudar o mundo para que a sociedade não dê, nunca, nenhuma razão para que se ache válido ser criminoso. Todavia, mesmo as dando, como as dá, isso não é justificativa para o crime. Todo crime é culpa do criminoso.

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O que o senhor acha da ética utilitarista de Jeremy Bentham e Stuart Mill?

Bruno Marchi Ferreira
Concordo que ela seja um dos critérios meta-éticos para se conceder valor ético a uma ação. Mas não o único e nem que tenha que ser sempre obedecido. Há o critério do imperativo categórico, bem como a regra de ouro. Além do mais, a eticidade de cada ação tem que ser examinada em função das circunstâncias em que tenha se dado.

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Como conseguem acreditar nisso? https://www.facebook.com/IgrejaUniversalDaRendaDeDeus/videos/1550186268326131/?hc_ref=ARS8RU8q3zMjcXV7d3Yx9o58A7cuXFuAjcgryfhdijn_7Y11AQ-X05QyLqkpGpJKjN8&fref=gs&dti=1642242382706906&hc_location=group

Edson Macedo
Isso é o resultado de que as escolas, realmente, não educam a infância e a juventude, de modo que pessoas acabam acreditando nessas tapeações. É preciso que o Ministério da Educação crie coragem e coloque no currículo escolar ensinamentos céticos. Isso mesmo! Tem que mostrar para todo mundo que tais aberrações não podem existir no mundo. Isso tem que fazer parte do ensino de Ciências. Ou seja, que não existem milagres. Não importa se se acredite ou não neles. Milagres não existem! Qualquer um que seja dito assim ou é uma deslavada mentira ou é um fato natural incomum. Omitir esse tipo de educação na escola é uma atitude criminosa. Esses pastores têm que ser desmascarados como verdadeiros estelionatários que, de fato, são. Não tem essa de que se tem que garantir a liberdade religiosa. Claro que se tem liberdade religiosa. Mas não se tem a liberdade de roubar o povo escandalosamente como eles (e elas) fazem. São criminosos que deveriam estar na cadeia.

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Na verdade, a divulgação científica que eu tenho apreço é a sua, a do Weinberg, a do Tegmark e a do Carroll. Eles não são tendenciosos, cometem poucos erros. E você ainda concilia Física com Filosofia. Tem minha admiração. Mas apenas discordo do que falou na outra resposta.

Pabis Zanin
A que Carroll você se refere? Do Tegmark eu conheço, mas ainda não li, o livro "Our Mathematical Universe". "Os Três Primeiros Minutos" do Weinberg é, de fato, muito bom e já o li há quase quarenta anos. Mas já li muitos outros autores de divulgação científica que considero realmente bons, como o António Damásio, o Dawkins, o Gould, o Deutsch, o Pinker, o Dennett, o Smolin, o Feynman e vários outros. Aliás o que eu leio mais é Iniciação Científica. Digamos que 30% do que leio. 20% é Filosofia, História e Religião, 20% é Literatura e 20% são temas variados. Sem contar livros que eu não leio, mas estudo, como os de Física, Matemática, Cosmologia e Astrofísica. Quanto ao Marcelo Gleiser, realmente vejo muitas incorreções nos seus livros. Mas leio assim mesmo. Aliás já li todos de divulgação que ele escreveu. Mesmo com as incorreções, acho-os proveitosos. O Tyson também costuma dizer algumas coisas erradas. Um erro muito comum é dizerem que o Universo é feito de matéria e energia, como se energia fosse uma entidade. Dizem que matéria e antimatéria se aniquilam e se transformam em "energia pura". Nada disso. Se transformam em fótons, cuja energia equivale à massa da matéria aniquilada pela equação E = mc². Já havia lido os artigos do Roberto de Andrade Martins, que, de fato, esclarecem bem. Mas eu sou fortemente a favor da Divulgação Científica. Acho que a ignorância científica é um desastre. Coisas triviais, até entre professores. Outro dia uma professora me disse que no verão é mais quente porque a Terra está mais próxima do Sol. Isso é o tipo de coisa que não se poderia admitir mais que alguém pensasse. Acho que o levantamento de muitas crenças infundadas só poderá se dar com a divulgação científica.

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Professor, considerando que uma indução é uma generalização de casos particulares (a conclusão é geral), leis são induções do ponto de vista físico em si, mas dedutíveis de princípios do ponto de vista lógico-matemático. Princípios (sem exceção) não se verifica empiricamente?

Pabis Zanin
Pelo que eu saiba não. Como é o caso do "Princípio da Ação Extrema", o "Princípio de Huygens", o "Princípio da Relatividade" e outros. Muitas vezes, contudo, alguma lei é chamada de princípio por razões históricas, como os "princípios de conservação" de várias grandezas, como energia, momento linear e momento angular.

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Professor, com todo o respeito, eu apenas falarei do Marcelo Gleiser por enquanto, mas escreverei textos falando de outros divulgadores. Isto aqui não é divulgação que se preste. E todo o resto da divulgação segue esta tendência: http://www.ghtc.usp.br/danca2.htm http://www.ghtc.usp.br/danca1.htm

Pabis Zanin
Mesmo que não seja boa é melhor ter do que não ter. Enquanto isso vai se melhorando. Mas, para tal, os cientistas têm que descer do pedestal de se considerarem sobre-humanos e conversar com o povo sobre ciência. Têm que ter o trabalho de traduzir a ciência para a linguagem das pessoas não científicas. Isso tem que fazer parte do trabalho deles. Inclusive como um requisito essencial para o financiamento das pesquisas. E isso tem que ser julgado se ficou ou não bom.

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Como acabar com as favelas do Rio? Acha válido a ocupação de prédios desocupados no centro da cidade por pessoas de baixa renda? Ou o governo deveria ir construindo habitações populares na periferia e ir destruindo as favelas à medida que as casas populares fossem entregues aos novos moradores?

Auxiliadora Irber
Ainda sobre as favelas, acha certo que as pessoas queiram morar na Zona Sul do Rio, mesmo em favelas, sendo que não possuem poder aquisitivo para isto?
Essa é a grande questão. Mesmo que se deem casas melhores para os favelados na periferia, eles preferem morar em barracos próximo do centro. Porque assim estão perto de onde trabalham. O que eles gastariam de transporte para ir da periferia ao local de trabalho consumiria a maior parte de sua renda. O que é preciso é que se construam habitações decentes para os favelados perto de onde eles trabalham mesmo. Que se façam prédios de apartamentos nas próprias favelas. Que se urbanizem as próprias favelas com ruas, rede elétrica decente, água, esgoto e tudo dentro dos padrões corretos. Faz um prédio, transfere moradores de uma pedaço, demole os barracos desse pedaço e faz um prédio nele e assim vai indo.

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Por quê não aparecem mais líderes na política brasileira?

Auxiliadora Irber
Em razão da difusão do espírito pragmatista em todos os estratos da sociedade. A maioria das pessoas não tem mais a visão do bem geral, mas apenas a vontade de se dar bem na vida. Uma pessoa para ser um líder político tem que ser abnegada, desprendida, altruísta, nobre, corajosa, indômita, além de ter as qualidades de liderança natas, bem como ótima retórica, superior capacidade de administração e muita inteligência, vontade e sensibilidade. Isso é, tem que ser um ser humano superior mesmo. Pessoas comuns jamais serão líderes. E a primeira característica incomum que o líder tem que ter é querer o bem geral e não o seu.

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O que acha de divulgação científica?

Algo interessantíssimo e muito importante. Para que a população que não tenha formação científica tenha conhecimento dos fatos científicos de uma forma mais acessível a sua compreensão. É importante que cientistas se dediquem a fazer divulgação científica. Inclusive porque há pessoas que não entendem de ciência (jornalistas por exemplo) e que se metem a fazer divulgação científica e dizem coisas erradas. Simplificar a informação para ser acessível não significa cometer erros conceituais ou de descrição de fenômenos. Isso não se pode fazer. Admiro muito os grandes divulgadores científicos, como o Fritz Kahn, o Carl Sagan, o Richard Dawkins, o Neil deGrasse Tyson, o Stephen Hawking, o Leonard Mlodinow, o Marcelo Gleiser e vários outros que têm o trabalho de traduzir os conhecimentos científicos em uma linguagem compreensível pelo público leigo.

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Uma pessoa interessante é uma pessoa interessada?

Mariah Colli
Não necessariamente. Quem seja interessante é porque desperta nos outros um interesse por ela, pelo que ela é, pelo que ela faz, pelo que ela sabe, pelo que ela pode ou, até, pelo que ela tenha. Uma pessoa interessada é a que ela tenha interesse por algo, em geral por conhecimento, por coisas, por fatos, por outras pessoas. Pode ser que um aspecto interessante em uma pessoa seja que ela seja interessada. Mas não necessariamente.

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Pergunta do Lex: Você se gaba muito das suas habilidades, te acho extremamente pedante e contraditório... Duvido que várias pessoas criticassem seu trabalho você ainda se manteria ataráxico. Mas o fato de te achar dissimulado não implica que eu te abomine, de modo algum.

Ernesto von Rückert
Eu não me gabo de nada. Apenas reconheço, de modo assertivo, quais qualidades e quais defeitos possuo. Assim é que tem que ser. Tanto é errado se dizer que se seja o que não se seja, quanto dizer que não se seja o que se seja. Jamais perco a fleuma com críticas. Pelo contrário, ao longo de todos esses anos em que respondo aqui no Ask e, antes, no Formspring, tenho contra-argumentado contestações de várias pessoas de modo inteiramente sereno. Quanto a dizer que eu seja dissimulado, trata-se de uma total inverdade. Realmente não sou, nem um pouco. Tudo o que mostro que sou e o que digo que penso é, exatamente, o que sou e o que penso. Também não sou contraditório de modo nenhum. Minhas ideias são completamente coerentes e eu as expresso assim. Nem considero que uma pessoa que seja assertiva, por isso, seja pedante. Não sou humilde e nem sou pedante. Sou assertivo e modesto. Tanto o pedantismo quanto a humildade são defeitos de caráter.

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Vejo muitas vezes você falando em punições “pelo resto da vida”. Você sabia que pena perpétua é inconstitucional no Brasil?

Auxiliadora Irber
Sim. Mas discordo disso. Acho que isso tem que ser revogado na Constituição. De modo diferente da pena de morte, uma pena perpétua, como uma prisão ou a cassação dos direitos políticos, pode ser revogada uma vez que se veja que foi equivocada. O fato de estar na Constituição não é garantia de que seja correto. Do mesmo modo que o fato de algo estar na Bíblia não garante que seja verdade.

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Qual a sua opinião sobre a urna eletrônica? Seria a melhor ou pior maneira de se evitar a fraude eleitoral?

Auxiliadora Irber
Acho que a urna eletrônica, com as correções em sua programação que a faça perfeitamente segura e imune a qualquer tipo de fraude, o que é perfeitamente possível, é melhor do que o sistema de voto impresso no papel. O que eu não sei é se há tempo para proceder essas correções até a próxima eleição. Também não sei se há tempo de providenciar a mudança do sistema para voto em cédula de papel até lá. Já fui membro de equipe de apurações de votos em eleições e sei que não é difícil se fraudar resultados nesse processo. Acho que seja mais fácil do que com o voto eletrônico. O que seria preciso é uma auditoria rigorosa de todas as urnas, depois das eleições, com uma punição extremamente severa para qualquer candidato que tenha sido beneficiado por alguma fraude. Como a cassação dos direitos políticos para o resto da vida.

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professor, é notória a semelhança entre seres humanos e maquinas, no sentido que a mente é o softaware e o corpo a hardware. Assim como no campo da programçao, o universo segue certas determinações de como porque a gravidade atrai e ao invés de empurrar....

...ou porque existe certa distancia entre as camadas atomicas ou porque somente um numero x de eletrons cabem nelas. Seria possível sermos criaçao de uma outra raça mais antiga ou avançada, ou mesmo toda a reaiidade tivesse sido criada?
Possível seria, mas não acho que seja. Se se apelar para alguma inteligência para explicar porque o Universo se comporta como o faz, então se teria que apelar para outra inteligência anterior para se explicar como foi feita a tal inteligência. E outra mais anterior ainda para explicar como surgiu essa anterior. E outra, e outra, e outra... Isso é o mesmo do que a hipótese da panspermia para explicar o surgimento da vida na Terra. E como teria surgido a vida que teria vindo do espaço para povoar a Terra? Todo o modo como o Universo se comporta, simplesmente, é o modo como, por acaso, aconteceu das coisas terem sido assim formadas. Poderiam ser de outro modo, mas calhou de ser deste e assim as coisas são. Não há uma razão para que sejam como são.

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O Universo é uma boa "invenção"?

Matheus Monb
O Universo não é uma "invenção", pois invenção é algo que tenha sido planejado e executado por alguma entidade. E o Universo surgiu sem ter projeto nenhum e sem ter sido feito por ninguém. Todavia pode-se entender a questão como querendo saber se o Universo é algo bom ou algo ruim. Nem um nem outro. Por algo bom se entende o que propicie o bem para seres capazes de sentirem satisfação ou insatisfação em fruir da existência do Universo e por algo ruim seria se ele propiciasse insatisfação a esses seres. Ora, em parte ele é bom e, em parte, ele é ruim. Propicia o bem e propicia o mal. Contudo, penso que o saldo seja bom, porque vejo que a maior parte dos seres dotados de senciência prefere continuar a existir do que não. Ou seja, estão satisfeitos pelo fato de terem surgido e estarem aí. Mesmo que haja muita horripilância no Universo.

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